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Os homens que vêm do futuro

A moda masculina para a primavera-verão 2022 apoia-se em têxteis de proteção, ecológicos e versáteis, aponta o gabinete de tendências WGSN. A inovação é o motor de desenvolvimento dos novos tecidos e malhas, todavia fortemente condicionados pela situação pandémica.

[©WGSN]

De acordo com o WGSN, as tendências para a estação quente do próximo ano, inclusive na moda masculina, seguem três direções: Connected, Euphoric e Resourceful.

Em Connected, o conforto torna-se mais inteligente, com um foco na construção e performance. Isto resulta em novos estilos híbridos, desde os fatos fáceis de usar a loungewear, que pode também ser usado fora de casa, até vestuário exterior resistente a patógenos para as viagens do dia a dia.

A sustentabilidade não é esquecida e o mercado de gaming está em crescimento, criando novas sinergias entre os jogos virtuais e a moda, o que dá também uma nova energia ao mercado de vestuário de desporto e de streetwear com novas oportunidades para colaboração entre marcas e narrativas de produto.

Em termos de têxteis, o reflexo da pandemia vai continuar a sentir-se em 2022, de acordo com o WGSN, por isso os homens vão procurar tecidos de sobrevivência que garantam segurança, incluindo têxteis multifuncionais, para comutarem entre a casa e o trabalho, com elasticidade, secagem rápida, adaptáveis ao clima e termorreguladores.

As inovações de base biológica terão lugar na moda masculina, nomeadamente ao nível das fibras, revestimentos e elementos elásticos e a aceleração tecnológica vai gerar têxteis “figitais”, isto é, têxteis onde a fronteira entre o digital e o físico se esbate.

Nas malhas, em particular, predominam qualidades macias para a pele e estruturas respiráveis para os jerseys, assim como malhas duplas para permitirem peças reversíveis. As tecnologias antivirais e antimicrobianas vão fazer parte dos desenvolvimentos, assim como a utilização de fios que conferem bem-estar, como o liocel SeaCell e opções infundidas com jade, que permitem uma maior frescura.

Connected – Fuhua [©WGSN]
Jacquards interlock, ribs pregueados e riscas ombré traduzem os padrões influenciados pelo digital.

Em Euphoric, a sustentabilidade ganha maior preponderância, com a preferência por matérias-primas orgânicas e recicladas e têxteis produzidos sob os princípios do comércio justo, evitando-se as construções que geram desperdício e a apropriação cultural.

As coleções, indica o WGSN, devem transmitir felicidade e um sentimento de celebração, com maior saturação de cores e estampados, assumindo uma visão mais ativa e elétrica do conceito de escapismo.

Referências do passado e do futuro cruzam-se nesta tendência no que respeita à moda masculina, com a nostalgia dos anos 70 e a indulgência dos anos 80 e 90 a combinarem-se com têxteis, cores e proporções futuristas.

Os tecidos ganham um lado mais colorido e artesanal, incluindo bordados à mão e estampados mais manuais. O WGSN aconselha a dar prioridade a uma abordagem ecológica, com a adesão a programas de reciclagem, corantes de baixo impacto e acabamentos amigos do ambiente para tecidos lisos de algodão.

Os tecidos com estampados tropicais típicos das férias deverão evoluir e tornar-se mais sofisticados, com jacquards e estampados sedosos e sombreados. O mesmo acontece com o tie-dye, que ganha novas cores e ombrés tingidos à mão.

As malhas nesta tendência celebram o artesanal e a criatividade e as cores assumem tonalidades mais fortes, nomeadamente nas riscas. Os padrões típicos mantêm-se para dar um sentido de familiaridade aos consumidores, desde as riscas aos blocos de cor, que podem ser aplicados em felpos, numa reminiscência dos estilos de férias retro.

Euphoric – Almodo Textile [©WGSN]
O gabinete de tendências aponta ainda a necessidade de explorar os fios de valor acrescentado que aumentam o conforto, incluindo em jerseys básicos. «Invista em opções do mercado de massas como fios termorreguladores, com recuperação de forma e com gestão de humidade que mantêm o utilizador mais confortável durante mais tempo», sugere.

Em Resourceful, a moda tem de abrandar, com um foco em produtos duráveis e uma versatilidade intemporal que se mantêm atualizados face às exigências de um guarda-roupa modular, onde os itens funcionam em conjunto.

O facto de cada vez mais homens estarem a passar mais tempo em casa impele para silhuetas mais relaxadas, conferindo uma atitude fácil de usar a todo o tipo de peças, desde as mais casuais aos fatos.

Os temas do outdoor e do campo no contexto da sustentabilidade estão a ganhar terreno, com corantes e matérias-primas de baixo impacto, assim como a utilização de stocks e estratégias de upcycling.

Os têxteis adequam-se a estas direções, nomeadamente ao nível da sustentabilidade, mas também com a revitalização de têxteis através de patchwork e costura, acrescentando um sentimento de nostalgia às peças de vestuário, usadas sobretudo em casa.

Linho orgânico, juta e algodão orgânico destacam as ondas rústicas naturais e as riscas e xadrezes inspirados na história, com uma textura subtil e acabamentos macios que criam designs versáteis para diferentes contextos.

Resourceful – Dash Miller [©WGSN]
Também as malhas devem explorar opções que reduzam o consumo de água, assumindo as tonalidades naturais do algodão, do linho, da caxemira, da lã e da alpaca, assim como fibras sustentáveis e rastreáveis, já que a transparência vai tornar-se numa força motriz por detrás da produção ética e dos desenvolvimentos sustentáveis.

Dominam padrões geométricos, xadrezes e riscas e técnicas e pontos tradicionais para conseguir uma maior longevidade e alimentar a ligação emocional com os produtos.