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Os novos desafios do sourcing

A pressão sobre os custos de produção representa um dos desafios que os retalhistas de vestuário dos EUA terão de enfrentar em 2016, com o “salário justo” e as “condições de trabalho dignas” a tornarem-se partes integrantes do sourcing e do marketing do produto.

Num relatório sobre os temas-chave que as redes de vestuário terão entre mãos este ano, os analistas da Stifel referem que, ainda que os preços do algodão tenham caído significativamente em 2016, este será, provavelmente, um benefício a curto prazo, com os desafios e os crescentes custos de aprovisionamento suscetíveis de prevalecer sobre quaisquer poupanças adicionais.

Com os custos globais a aumentarem em todo o sector, o tamanho tornou-se numa vantagem competitiva ainda maior, observa o relatório. «Quanto maior o retalhista, mais capaz está de suportar a escalada dos custos. E à medida que o consumo de vestuário vai estagnando, os grandes retalhistas têm certas vantagens na luta pela quota de mercado (melhor alavancagem dos custos fixos pode significar preços mais baixos e maiores vendas podem efetivamente alavancar a publicidade)», afirma a Stifel.

As mudanças nos gastos dos consumidores poderão ser uma realidade permanente, alertam ainda os analistas, com as compras a evidenciarem um declínio secular. As novas prioridades, como eletrónica, experiências (viagens e refeições fora), casas e carros estão a substituir os gastos em vestuário.

O amadurecimento da geração milênio, bem como dos pais baby boomers, são suscetíveis de ser um fator adicional para estas alterações no consumo.

Com uma idade média de 26 anos – e representando o maior segmento da população dos EUA –, a geração do milénio, ao contrário das suas predecessoras, não precisa ou quer três guarda-roupas: para o trabalho, lazer e saídas.

Em vez disso, os analistas da Stifel advogam que precarização do mercado de trabalho tem diminuído ostensivamente os gastos em vestuário da geração milénio, quando comparada com a geração anterior. «Os millennials vestem de forma mais individualista e são menos propensos a conformarem-se e comprarem uma tendência atual, tornando-se mais difícil para os retalhistas de vestuário oferecer produtos que lhes agradem», explicaram os analistas.

Enquanto isso, os baby boomers – que agora têm uma idade média de 60 anos – já não sentem a urgência de seguir tendências. Semelhante à geração milénio, as suas prioridades mudaram para experiências.

No seguimento destas oscilações nos hábitos de compra destas duas gerações, o comércio eletrónico e a estratégia omincanal tornaram-se num componente essencial para o retalho, com as cadeias de vestuário a reconhecerem que devem ter um portal de comércio eletrónico vibrante e de compra simples para agradar e reter clientes e manter a quota de mercado.

Apesar do custo – custo de instalação elevado, 30% taxa de devolução de mercadoria, a concorrência a oferecer entrega grátis nas vendas e devoluções, as atualizações do website para melhorar a experiência do utilizador – e possível canibalização, os analistas de Stifel acreditam que os retalhistas «devem participar ou arriscam a perder quota para os concorrentes».

Os vencedores

De acordo com os analistas da Stifel, as redes de vestuário como a The TJX Companies e a Kohl vão prosperar neste novo cenário do retalho à medida que os consumidores estão focados em grandes marcas com pontos de preços atraentes.

Retalhistas com produtos diferenciados, como a L Brands e a Urban Outfitters, também deverão sagrar-se vencedores de mercado, observa o relatório.

As previsões

Apesar da performance destes (poucos) vencedores, os analistas Stifel antecipam um enfraquecimento no sector durante o primeiro semestre de 2016.

Os retalhistas, a sair de uma quadra natalícia fraca e de tempo metereológico adverso, deverão mostrar-se mais cautelosos no primeiro trimestre, reduzindo a produção e pressionando preços do stock, alertam. Não obstante, os analistas preveem que o sector recupere no terceiro trimestre.

Acrescentando ainda que os retalhistas irão, provavelmente, adotar uma posição conservadora em relação aos stocks no quarto trimestre, dada a necessidade de promoções este ano. «Acreditamos que isso irá reduzir a necessidade de promoções e reduzir a pressão sobre os preços competitivos em relação ao nível visto em 2015, possivelmente contribuindo para melhoria da margem», conclui o relatório.