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Os novos destinos do yuan

A consultora McKinsey & Co. prevê que os consumidores chineses venham a aumentar os gastos em 10% ao ano até ao final da década, à medida que os rendimentos vão crescendo. Na China, cerca de 55% dos consumidores esperam uma subida significativa dos salários ao longo dos próximos cinco anos.

Nesta nova rota de crescimento do consumo, não serão apenas os bens de primeira necessidade os responsáveis pelo recheio dos carrinhos de compras. Os consumidores vão gastar cada vez mais em experiências de luxo, como spas, viagens e entretenimento, analisa a Bloomberg.

Trata-se de mais um sinal de que a economia do Império do Meio está em mudança e a afastar-se da outrora alimentada pela indústria e exportações, ao aproximar-se de uma na qual os consumidores e os serviços impulsionam o crescimento.

Como indicador do atual e do futuro caminho dos gastos dos consumidores chineses está ainda a adoção de novos produtos, serviços e experiências de retalho a taxas não vistas nos mercados desenvolvidos. O pagamento via móvel na China passou de 0% em 2011 para 25% da população em 2015.

«Longe vão os dias de gastos indiscriminados em produtos», refere a McKinsey, acrescentando que o «foco está a deslocar-se para a compra de produtos premium e no investimento numa forma de vida mais equilibrada, saudável e centrada na família».

O governo chinês priorizou o crescimento económico para este ano, entre os 6,5 e os 7%, tendo ainda deixado uma promessa de controlar a economia, que cresceu ao ritmo mais lento dos últimos 25 anos em 2015.

E, a realidade, é que, não obstante as vendas a retalho na China terem desacelerado nos dois primeiros meses do ano, estas ainda permanecem a um nível de crescimento de dois dígitos. As vendas anuais de bilhetes de cinema, por exemplo, podem ultrapassar os EUA já em 2017 e as viagens de turismo para o exterior estão no caminho para atingir os 200 milhões até 2020, de acordo com a CLSA.

Ainda assim, para os concorrentes estrangeiros com expetativas de conquistar uma maior quota de mercado, o panorama é misto. Enquanto as marcas estrangeiras dominam o segmento premium, as empresas locais estão a aumentar a sua quota de mercado no segmento de massas.

«Apesar de a escala, velocidade e simplicidade se terem mostrado vantajosas nos últimos 15 a 20 anos, a mudança no consumo chinês deverá derrubar alguns gigantes do passado e elevar novos campeões», destacou a McKinsey, que para esta análise consultou 10 mil consumidores, com idades entre os 18 e os 65 anos, em 44 cidades chinesas.