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Os novos escravos do luxo

Para alimentar o apetite crescente dos consumidores de Hong-Kong e da China, em geral, por artigos de luxo, abriu recentemente no bairro Kowloo, onde estão alojados numerosos hotéis de luxo, a galeria comercial "Elements”. Acolhendo, sobretudo, uma loja da Gucci com mais de 1.000 m2, a galeria estÁ directamente ligada por comboio ao aeroporto de Hong-Kong e por um ferry-boat a Shenzhen, na China, numa travessia que dura cerca de uma hora. O objectivo: seduzir uma parte dos cerca de 10 milhões de visitantes chineses que, em cada ano, vem saciar os seus desejos de compras no território restituído à China em 1997 e aproveitar as baixas taxas sobre os produtos de luxo. Hong-Kong acolhe muitos visitantes chineses e este número tende a aumentar. Apostamos primeiro nesta clientela», explica Betty Leong, responsÁvel do MTR Corp, operador ferroviÁrio de Hong-Kong, que investiu 10 mil milhões de dólares num programa de desenvolvimento, compreendendo a galeria "Elements ", uma linha de caminho de ferro e outros edifícios. HÁ aqui uma grande solicitação de produtos de luxo. As marcas têm uma enorme visibilidade e as suas vendas são elevadas», assegura Betty Leong. Os consumidores de Hong-Kong desembolsaram mais de 2,6 mil milhões de dólares na compra de vestuÁrios e acessórios nos 11 primeiros meses de 2007. Segundo as estatísticas oficiais, trata-se de um dos mais importantes orçamentos per capita neste sector em toda a Ásia. Ao mesmo tempo, as marcas de luxo, incluindo Christian Dior, Louis Vuitton, Gucci e Dolce&Gabbana, investiram 37 milhões de euros em publicidade, o que representa um crescimento de 14% em relação a 2006, de acordo com a Nielsen. Hong-Kong é uma plataforma importante para atingir o mercado chinês», explica Katherine Chan, porta-voz da Semana da Moda de Hong-Kong. Desenvolvemos grandes esforços para convidar compradores oriundos da China», acrescenta. Em 2007, mais de 5.000 clientes chineses assistiram a este certame de moda. Um valor superior ao registado em 2004, que contou com 4.200 chineses. Cada vez mais, as marcas de luxo investem directamente no mercado chinês, considerado hoje o terceiro mercado mundial do luxo, atrÁs do Japão e dos Estados Unidos da América. No ano passado, o grupo italiano Fendi organizou um aparatoso desfile na Muralha da China, enquanto que a Louis Vuitton, presente na China desde 1992, e a Giorgio Armani têm vindo a multiplicar as suas lojas nas grandes cidades do Império do Meio. Todas as marcas de luxo estão interessadas no mercado chinês», assegura Mary Chiang, representante hÁ mais 20 anos das grandes marcas na China. A população chinesa é enorme e o crescimento económico rÁpido. O mercado actual é apenas a parte visível do iceberg», conclui