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Os novos muçulmanos

No rumo da transformação dos fenómenos culturais vigentes, os Mipsterz, ou “hipsters muçulmanos”, terão um impacto duradouro nas conceções da juventude islâmica em todo o mundo. São um grupo em rápido crescimento, aberto, ambicioso e comprometido com a sua fé. Esta nova geração de muçulmanos está em franco crescimento no Médio Oriente e em África. No ocidente interage através das plataformas digitais e mostra-se interessada em partilhar a sua identidade sem impor as suas convicções religiosas. Os Mipsterz começaram como uma lista de contactos eletrónicos antes de alcançarem o Facebook e rapidamente foram projetados para os media internacionais depois do lançamento do vídeo provocador da produtora filmográfica Sheikh & Bake Productions. Os apoiantes do movimento elogiaram o retrato da mulher muçulmana liberal, adepta das novas tendências, enquanto os críticos questionaram a falta de modéstia e a objetivação das intervenientes femininas. Porém, o seu impacto foi inquestionável para a divulgação deste movimento e legitimação das suas premissas. A influência da subcultura Mipster é ainda ténue mas, tendo introduzido o debate sobre os estereótipos muçulmanos e a integração cultural da comunidade no ocidente, o movimento preparou as marcas para uma readaptação que represente esta nova geração de muçulmanos influentes e ditadores de tendências. Rebeldes com causa Os Mipsterz são arrojadamente progressistas e a habilidade de testarem as barreiras do convencional sem comprometerem os seus valores culturais, assegura a manutenção de uma dinâmica sustável. O sucesso do movimento Mipster resulta de pacificamente projetar uma imagem complexa e positiva de uma comunidade muçulmana que é socialmente consciente, altamente qualificada e religiosamente devota, uma combinação equilibrada de Oriente e Ocidente. Compreendendo a influência da esfera digital e recorrendo a perfis públicos para instigar a mudança de comportamentos, esta nova geração de muçulmanos está a combater os preconceitos sobre a religião islâmica, enquanto entidade arcaica e opressiva. Uma das primeiras mulheres muçulmanas a aventurar-se na rede social Instagram foi Ascia AKF, que hoje tem mais de 1,1 milhão de seguidores, inspirando-se na conjugação do tradicional código de vestuário islâmico com as novas tendências da moda contemporânea. Músicos muçulmanos, incluindo o rapper The Narcicyst e o artista americano de indie-pop Yuna, desafiam a convenção de que a devoção religiosa e a paixão pela música contemporânea, moda e arte devem ser mutuamente exclusivas. Consumidores distintos Os Mipsterz têm fortes valores sociais e hábitos de consumo éticos, representando uma oportunidade valiosa para as marcas que estão dispostas a responder aos cambiantes deste estilo de vida. Apesar do sólido código de conduta que orienta o quotidiano dos muçulmanos, a individualidade é um elemento caracterizante deste novo consumidor, que procura produtos adequados ao seu estilo de vida, mas que sejam, também, capazes de assimilar a diversidade dos muçulmanos modernos. Reconhecendo as potencialidades deste nicho, algumas marcas começaram já a dirigir-se especificamente a este mercado em crescimento. Vela, Pearl Daisy e Ramoosh são apenas alguns exemplos de marcas que disponibilizam alternativas modernas ao tradicional hijab muçulmano. A Underwraps é a primeira agência a representar modelos femininas muçulmanas, enquanto o Hipster Shaadi é a única plataforma de relacionamentos dedicada exclusivamente a muçulmanos vanguardistas. Compreendendo que os Mipsterz pretendem integração ao invés de marginalização, as marcas ocidentais procuram adaptar produtos já existentes, acomodando estratégias de marketing e de oferta que apelem aos consumidores muçulmanos.