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Os novos voos da Solinhas

A produtora de linhas de costura deu continuidade à trajetória de crescimento em 2018, com o aumento das exportações para a Europa e a presença em feiras internacionais. 2019 iniciou-se precisamente com a estreia na Heimtextil, em Frankfurt.

Serafim Fernandes e Lurdes Fernandes

Ainda que a expetativa fosse de um crescimento mais significativo, 2018 foi um ano positivo para a Solinhas. A garantia foi deixada pelo CEO, Serafim Fernandes, ao Portugal Têxtil. «Nos primeiros seis meses tínhamos uma expetativa bastante maior, que se foi dissipando. Com efeito, os indicadores que temos é que o têxtil em Portugal, especialmente no último trimestre, caiu bastante», revela o CEO da produtora de linhas fundada em 1986, sublinhando, contudo, que a empresa cresceu 6% no ano passado, tendo registado um volume de negócios de cerca de 4 milhões de euros.

Prognósticos só no final do jogo

Para 2019, as previsões continuam em rota ascendente. «Começamos logo pela Heimtextil e acho que vai ser um bom ano», antecipa a administradora Lurdes Fernandes, segunda geração do negócio familiar. O facto de, no último trimestre, termos baixado, não será significativo para o novo ano. É um período, é uma fase e isso acontece», considera.

Ao longo dos últimos anos, a Solinhas, que possui uma filial na Tunísia, tem seguido um caminho de crescimento e 2019 não será diferente, acredita Serafim Fernandes. Fomentar a exportação, que atualmente ronda os 60% e passa maioritariamente pelo Magreb, Espanha, Alemanha e França, é um dos desígnios prioritários da empresa.

«Vamos fazer um primeiro trimestre com uma grande ofensiva nos mercados onde vendemos. Vamos realizar várias visitas para, neste princípio do ano, tentarmos ganhar espaço para continuar a crescer. É esta a filosofia da empresa: procurar sempre crescer», afirma o CEO, não definindo metas específicas. «É difícil fazer prognósticos. Não está dependente só de nós. Está dependente de muitas coisas. O mercado tem muitas evoluções positivas e negativas», explica.

Ainda que não trabalhe diretamente com o Reino Unido, a Solinhas poderá sofrer com o Brexit de forma indireta. «Na Tunísia, trabalham muito para o mercado inglês. Se alguma coisa passar a ser diferente, em relação à ligação da União Europeia com o Reino Unido, provavelmente as empresas portuguesas que estão na Tunísia vão sofrer», admite Serafim Fernandes.

De Frankfurt para… Paris?

A produtora de linhas de coser, bordar e acolchoar recebeu, em Frankfurt, visitas de potenciais clientes de todo o mundo, com especial destaque para a Europa de Leste.

«Já tivemos contactos da Hungria, Bulgária, Polónia… Achamos que a Europa de Leste é um mercado que pode ser interessante para nós», reconhece Lurdes Fernandes.

A Solinhas, para quem o têxtil-lar representa cerca de 50% das vendas em território nacional, estreou-se na feira alemã, de onde poderá partir para França. «Vamos fazer uma análise da nossa passagem pela Heimtextil. Daqui a duas ou três semanas, poderemos tomar a decisão de ir Paris», adianta Serafim Fernandes. «Vamos analisar a Première Vision. É uma área diferente, mais ligada à moda e confeção, e seria interessante para nós», acrescenta Lurdes Fernandes.