Início Notícias Tecnologia

Os perigos da impressão 3D

Um estudo sem precedentes, elaborado ao longo de quatro anos, mostra que as impressoras 3D emitem micropartículas perigosas, que podem ficar alojadas nos pulmões para sempre. Quem tem uma impressora 3D deve necessariamente garantir que esta está instalada numa área arejada.

As impressoras 3D libertam minúsculas partículas que podem ser tóxicas e alojar-se nos pulmões dos seres humanos, com carácter permanente. É pelo menos esta a conclusão de um estudo conduzido pelo professor Rodney Weber, da Georgia Tech, divulgado pela  Fast Company.  O estudo acerca das partículas que as impressoras 3D emitem foi publicado na Aerosol Science and Technology e faz parte de uma pesquisa alargada que foi realizada ao longo de quatro anos e teve como objetivo uniformizar as partículas que são emitidas pelas impressoras 3D, de modo a definir quais são as mais saudáveis no mercado. O intuito foi, igualmente, que os produtores tenham estas conclusões em conta quando, no futuro, desenharem impressoras 3D.

Na verdade, vários estudos já confirmaram que, quando as impressoras 3D derretem alguns filamentos plásticos para formar novos objetos, libertam componentes para a atmosfera. Trata-se de partículas tão pequenas quanto 100 micrómetros, o que significa que têm o diâmetro de cerca de 1/10 de uma bactéria ou de 1/1000 da largura de um cabelo humano.

No entanto, como explica Rodney Weber, a quantidade de partículas que é emitida para a atmosfera sempre foi difícil de medir, porque todos os estudos se debruçavam numa combinação diferente de máquinas e fios e as emissões eram medidas em condições diferentes. «Não havia um padrão, então não se podia realmente comparar os resultados», afirma Weber.

Em vez de desenvolver outra metodologia, a equipa de investigadores optou por trabalhar com o modelo desenvolvido para as impressoras a laser, as 2D, que estão presentes nos escritórios e casas de todo o mundo. Basicamente, o procedimento passa por colocar uma impressora num compartimento fechado e medir as partículas emitidas, enquanto se liberta mais ar no local, com uma taxa rigorosamente controlada.

As descobertas

Em primeiro lugar, a equipa de Rodney Weber descobriu que todos tipos de impressoras 3D emitem micropartículas que podem ser motivo de preocupação. Até os modelos industriais, que aparentemente estão selados, com ventoinhas e filtros, emitem um número considerável de partículas. «Ainda que ajude um bocado, não é o suficiente. É como as pessoas que, na China, usam máscaras devido à poluição. Não ajuda muito porque as partículas têm uma dimensão muito reduzida que atravessa as fissuras», revela.

Outra descoberta foi a de que as partículas emitidas são, na verdade, misturas de muitos químicos, como uma espécie de cocktail de plástico. Desenhados para satisfazer todos os tipos de materiais e propriedades, os químicos que são emitidos variam bastante de um modelo de marca para outro. Aliás, mesmo se um químico é apenas uma pequena componente do material utilizado, pode ser libertado em quantidades significativas no ar. «A massa das partículas presentes num aerossol é, em ordens de grandeza, mais pequena do que o se extrai [de uma forma 3D]. Eles misturam todo tipo de compostos», aponta Rodney Weber. Medir o potencial impacto que todos os químicos poderiam ter na saúde humana é, no mínimo, difícil de aferir, segundo o estudo.

Por fim, o estudo descobriu que a temperatura a que o filamento foi derretido tem um impacto gigante nos químicos que se transformaram em aerossol. Regra geral, quanto mais baixa for a temperatura a que a impressora trabalha, melhor é qualidade do ar em redor.

Quão preocupado se deve estar?

«Não diria que é necessário ficar aterrorizado, porque estamos expostos a estas partículas há muito tempo, com as emissões nas estradas dos carros a diesel, por exemplo. Não é que as impressoras 3D criem as únicas nanopartículas no mundo», esclarece o investigador. «É necessário ter em conta que este é um meio que não está regulamentado e as pessoas ainda não pensaram muito sobre este assunto. Para ser honesto, não estaria muito preocupado, desde que se tenha uma boa ventilação no local. Acaba por ter a ver com isso. Se se tem uma grande quantidade de impressoras num espaço e se, quando se entra se sente o cheiro a plástico, então aí sim, ficaria preocupado», alerta o investigador.