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Os riscos da cadeia

As empresas estão hoje mais expostas ao risco, enfrentando desafios acrescidos, decorrentes da expansão das suas estratégias de aprovisionamento globais, desde flutuações cambiais, à volatilidade dos preços do petróleo, alterações normativas, questões geopolíticas e fraudes.

E esses riscos não se restringem apenas às empresas cujas cadeias de aprovisionamento se estendem globalmente; afetam, também, os atores nacionais. «Mesmo que não atue no comércio internacional, muito provavelmente os seus fornecedores fazem-no, o que também pode colocar a sua empresa em risco», afirmou o provedor de tecnologia de negócios e serviços Xchanging Plc., que acrescenta que «nenhuma organização está imune das ameaças externas ao fornecimento».

Efetivamente, de acordo com a sua pesquisa, que envolveu 830 decisores de aprovisionamento em todo o Reino Unido, Europa e América do Norte, um dos maiores desafios externos, no segmento operacional das empresas, é o risco da cadeia de aprovisionamento.

Mais de três quartos (77%) dos inquiridos classifica-o como um desafio e quase um em cada cinco (17%) consideram-no um «desafio extremo». O estudo “2015 Global Procurement Study” centra-se nas ameaças externas e desafios das cadeias de aprovisionamento. Cerca de dois terços dos inquiridos referem sentir-se desafiados pela regulação e auditoria (71%), enquanto 63% citam a falta de inovação por parte dos fornecedores e 58% apontam as flutuações cambiais nas suas operações comerciais. Com o elevado número de inquiridos desafiados pelo risco da cadeia de aprovisionamento, a pesquisa sondou, em profundidade, as ameaças da cadeia de aprovisionamento específicas enfrentadas pelas empresas europeias e americanas.

Mais de um quarto dos entrevistados (28%) encara a moeda e as flutuações das taxas de câmbio como uma ameaça externa significativa. Este valor aumenta para 35% entre os inquiridos da Europa continental, com o euro ainda sob pressão face à libra e outras moedas importantes e em resultado do nervosismo sentido na região durante as negociações da dívida da Grécia. Mais de um quarto dos entrevistados (26%) aponta, também, os preços do petróleo como uma grande ameaça externa para os seus negócios, com os preços globais do petróleo em decréscimo acentuado nos últimos meses (mais de 40% desde o verão passado), resultando em quebras de receitas significativas para as nações dependentes da exportação de energia e preocupações sobre o excesso de oferta em alguns mercados.

Um em cada cinco entrevistados sente que as suas operações são ameaçadas pelas leis e regulamentações de compra de energia, enquadramento fiscal e crise da Zona Euro. Como antecipado, o percentual citando a crise da Zona Euro como uma ameaça aumenta para mais de um terço (34%) entre os inquiridos provenientes da Europa continental. Cerca de 81% dos entrevistados indicam que os cortes de gastos organizacionais são, também, um desafio, uma vez mais devido à crise da Zona Euro e à austeridade imposta nas empresas que operam na região.

«O risco de fornecimento é como um iceberg. A ponta do iceberg, os 10% visíveis, é o risco financeiro», enuncia o relatório, acrescentando que «debaixo da superfície encontra-se uma infinidade absoluta de outros riscos que devem ser monitorados e medidos e, assim como num iceberg, têm o potencial de afundar um negócio». Dentro de cada uma das três principais categorias de risco financeiro, cadeia de aprovisionamento e responsabilidade social corporativa existe múltiplas camadas, em várias dimensões. «É nesses múltiplos níveis, à medida que nos deslocamos mais e mais para jusante da cadeia de aprovisionamento, que a maioria dos riscos se encontram», revela o documento.

«Os decisores devem estar cientes dos riscos e ter estratégias eficazes para lidar com eles. Só então podem construir planos de contingência e gerir os riscos de forma proactiva». «Ampliando a sua base de aprovisionamento, não dependendo de um único fornecedor é, também, essencial para mitigar as ameaças externas», observa Chirag Shah, diretor-executivo da Xchanging Procurement. «Aumentar o acesso a mais fornecedores para projetos de aprovisionamento em escala global e regional irá remover a pressão e dependência de uma única fonte. Lidar com mais de um fornecedor, e saber quem os fornece, garantirá o controlo sobre todo o processo de compra», conclui Shah.