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Os riscos do “Made in China”

Desde o vestuário e calçado aos brinquedos e aparelhos elétricos, um fiscalizador para a segurança europeia advertiu para a venda de um número crescente de produtos perigosos, na sua maioria provenientes da China.

O fiscalizador admitiu ter emitido 2.435 notificações relativas a produtos perigosos, incluindo brinquedos infantis, vestuário e aparelhos elétricos em 2014, 3% mais face ao valor registado no ano anterior.

Da totalidade de bens perigosos, 64% são produzidos na China, incluindo Hong Kong, replicando o valor assinalado em 2013, anunciou o Sistema de Alerta Rápido (RAPEX na sigla original), que inclui 28 estados da União Europeia, assim como a Noruega, Islândia e Liechtenstein.

«Para mim, enquanto mãe e já avó, o elevado número de produtos nocivos entre os brinquedos é alarmante, por isso cuidado com o que dão aos vossos filhos para brincarem», alertou Vera Jourova, comissária europeia para os assuntos do consumidor. «Foi igualmente surpreendente o elevado número de produtos perigosos que entram no mercado europeu provenientes da China», afirmou numa conferência de imprensa em Bruxelas.

Os brinquedos encabeçam a lista de produtos retidos antes da entrada nos mercados europeus ou posteriormente apreendidos, respondendo por 28% do total, seguindo-se o vestuário (23%), aparelhos elétricos (9%) e veículos motorizados (8%).

No âmbito da primeira categoria, incluíam-se brinquedos de pelúcia com enchimento, que poderia soltar-se e sufocar a criança ou com peças destacáveis que podem ser facilmente engolidas por elas. Entre os objetos apreendidos havia, também, isqueiros que se assemelhavam a brinquedos, como modelos de bicicletas e bolas de basquete.

Calçado e artigos de couro, por exemplo, podem estar contaminados pela substância alergénica Crómio IV, enquanto as peças de joalharia podem conter metais pesados nocivos.

Apenas 14% dos produtos perigosos provêm de países europeus, 7% têm origem desconhecida e 2% são oriundos da Turquia, revelou o fiscalizador.

A preocupação mantém-se face à proporção de artigos perigosos que chegam à Europa provenientes da China, que beneficia de uma ampla penetração nas 28 nações que compõem a União Europeia, referiu Jourova. «Os números e a situação não estão a melhorar», acrescentou.

A comissária europeia indicou que a União Europeia está a cooperar bilateralmente com os fabricantes chineses, auxiliando-os na compreensão das normas de segurança impostas pela União Europeia.