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Os sucessos de Miguel Vieira

Depois de concretizar o sonho de integrar o calendário oficial da semana de moda de Milão, Miguel Vieira colhe os frutos e multiplica as vendas da sua marca epónima na feira de calçado italiana Micam. E soma mais um mercado ao seu périplo pelo mundo, a Nigéria.

Com uma carreira de três décadas, Miguel Vieira viu o culminar desta com o primeiro desfile na  semana de moda masculina de Milão, ao lado de nomes consagrados como Versace e Giorgio Armani. «Estar em Milão foi o realizar de um sonho pelo qual esperei 30 anos. Normalmente, as pessoas não esperam tanto, desistem logo rapidamente. Obviamente que foi dos momentos mais felizes da minha carreira», revela ao Portugal Têxtil.

Na perspetiva do designer, que já ganhou dois globos de ouro na categoria de Melhor Estilista, a marca é «apetecível porque nunca saiu do registo do segmento de luxo», afirma. «Bons tecidos, boas peles. Tudo o que é muito bom. As pessoas apercebem-se que nada é fake, é tudo muito verdadeiro», garante.

Sob o tema “Modernismo”, Miguel Vieira encerrou o terceiro dia do Portugal Fashion, na Alfândega do Porto, com uma coleção primavera-verão 2020 que mostrou que a alfaiataria pode ser divertida e até amiga do ambiente. «Esta coleção foi sobretudo muito gráfica em termos de estampados e sublimados. Foi uma coleção onde houve uma grande preocupação com tudo o que seja ecológico. É uma coleção que tem sobretudo grande qualidade nos tecidos, moderna, onde explico que a alfaiataria pode ser alfaiataria sem ser chata», destaca. «Quando entrei naquela sala cheia de pessoas senti uma áurea de todos muitos unidos e a torcer pela marca», confidencia.

Vestuário, calçado, joalharia, ótica e mobiliário são alguns dos sectores que o designer tem procurado explorar. O próximo passo poderá ser na cosmética, tal como adiantou em 2018. «É difícil encontrar o parceiro ideal para aquilo que pretendemos. Estamos em negociações e tudo dependerá do que conseguirmos. Trata-se de algo que quero muito fazer», admite.

Bons negócios na Micam

A Micam, feira de calçado que reúne profissionais de todo o mundo, contou mais uma vez, em setembro último, com a participação de Miguel Vieira. «Após a Milano Fashion Week, estivemos na Micam. Obviamente que [a Milano Fashion Week] teve uma repercussão bastante grande, notou-se logo [na Micam] uma afluência maior de buyers, especificamente de pessoas que percebem muito de moda, que sabem muito do circuito de moda, que sabem como funciona, etc. Essas pessoas chamam a atenção e vêm ao stand para fazer compras», conta.

Presente em vários mercados e múltiplos pontos de venda, o designer não tinha em mente a conquista de um país específico para o corrente ano. Ainda assim, 2019 trouxe novos mercados. «Este ano aconteceu algo engraçado, apareceram vários clientes da Nigéria, que eu desconhecia. Não sabia a quantidade de lojas que existiam no país, multimarcas e com as marcas todas de luxo. As negociações correram muito bem e angariámos quatro clientes. Era um país para o qual não estava à espera de vender», adianta.

Ciente de que o “made in Portugal” está na moda, Miguel Vieira tece a sua própria opinião sobra a indústria têxtil nacional. «Vêm muitos estrangeiros a Portugal para fazer private label. Mas o ideal era que viessem não pelo private label, mas pelas marcas portuguesas, que pudessem ser mais reconhecidas e crescer», defende.