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Os três tempos da Green Boots

No passo dado em qualquer que seja o exemplar Green Boots vão 58 anos de história, tradição e trabalho artesanal que, pesando na qualidade, o tornam o mais leve possível para o meio ambiente. A pressa fica fora das portas abertas pelo mestre sapateiro José Rodrigues Serrazina, em Benedita, Alcobaça, e um par de botas da marca 100% nacional demora cerca de quatro horas a estar terminado.

No passado, o mestre sapateiro José Rodrigues Serrazina fundou, em 1955, a pequena fábrica de calçado familiar JSR e, sem saber, embalava o berço da marca Green Boots. No centro de Portugal, numa pequena vila conhecida desde os anos 1940 pela terra dos sapateiros, a durabilidade do calçado do mestre tornou-se lendária e as sua botas ganharam fama, sendo procuradas por gerações de trabalhadores, da construção civil à agricultura, passando pela indústria e pescas. A dedicação e a entrega tornaram a qualidade da manufactura uma exigência natural, que se mantém como herança do mestre e ADN da Green Boots.

A marca foi criada em 2012, como novo capítulo para aquela história de 58 anos. Tendo como ponto de partida as botas originais, a Green Boots reinventou as botas JSR, traduzindo-as segundo um dicionário atual. No presente, as botas são feitas pelo processo tradicional, na fábrica original, com as máquinas da época e as mãos sábias de artesãos de longa data. O trabalho é completamente manual e as botas demoram cerca de quatro horas a fazer, tal como nos anos 1950. Em 2014, a marca firmou parceria com a artista plástica Joana Vasconcelos numa edição limitada e numerada a 599 pares, em alusão aos 599 anos dos descobrimentos portugueses.

Pedro Lourenço, sócio-gerente da Green Boots decide, ao lado do pai Luís Lourenço, o presente da marca que respeita o legado e os dias vindouros com igual carinho. «Notámos que existia imensa qualidade e tradição no que concerne ao fabrico de calçado na zona da Benedita e a história por detrás destas gerações de fabricantes de calçado fascinou-nos», conta ao Portugal Têxtil. «Quisemos modernizar aquele que era tido como um produto “velho”, “acabado” e trazê-lo de novo para a ribalta, conferindo-lhe aspetos estéticos apelativos, conforto e qualidade, sem nunca esquecer uma importante vertente de sustentabilidade económica e ambiental», acrescenta.

De mãos dadas com a história e herança genética está a preocupação com o meio ambiente. «Somos ainda defensores das cadeias de sustentabilidade económica e fazemos os possíveis por dar o nosso contributo para a preservação ambiental, através da utilização de peles tratadas sem recurso a alguns químicos nocivos e da utilização de solas em pneu reciclado em alguns dos nossos modelos», explica Pedro Lourenço.

Neste momento, a Green Boots tem nos 40 espaços físicos nacionais onde a marca está presente e no portal de comércio eletrónico recentemente renovado a coleção primavera-verão 2016 que, a par das reconhecidas botas, inclui também sapatos, sandálias, mochilas, acessórios e peças de vestuário. Na atual coleção os preços de venda ao público variam entre os 149,50 e os 210,50 euros para o calçado, enquanto na roupa rondam os 49,90 até aos 99,90 euros.

«Estamos a apostar em novos mercados e na criação de vários pontos de interesse que se identifiquem com a marca», revela Pedro Lourenço, que apesar de ter apenas 24 anos já caminhou por vários cenários e conta com um percurso académico dedicado à engenharia biomédica, tendo trabalhado como engenheiro de investigação em Londres antes de regressar a Portugal e ser “recrutado” para a marca.

Para o fabrico do calçado, a Green Boots utiliza maioritariamente as peles de vitela naturais, curtidas artesanalmente, e os crutes acamurçados em várias cores. Em alguns modelos, a marca recorre ainda a peles box calf, mas em menor quantidade. Nas solas é possível encontrar solas em couro com aplicações de borracha e solas em 100% pneu reciclado. «No processo de construção do calçado em Goodyear Welt, processo que apesar de mais moroso e dispendioso nos garante uma qualidade ímpar, acabamos ainda por utilizar mais um subproduto de outra indústria, a corticite, que nos garante um ótimo gradiente térmico», refere Pedro Lourenço. Para os forros e aplicações, são utilizados tecidos 100% portugueses, como a chita de Alcobaça, as lonas de algodão ou os bordados ingleses.

Assumindo-se como marca versátil, a Green Boots acaba por alcançar um público bastante eclético, sendo que, o sexo feminino está em destaque e com idades compreendidas entre os 25 e os 55 anos, que procuram «um produto diferente, com uma história, e que garanta qualidade e conforto»

O número de lojas e o volume de vendas para uma marca com tão pouco tempo de vida é para Pedro Lourenço «uma conquista por si só», a que se junta o reconhecimento por parte do público.

Para o futuro, a Green Boots já traçou a expansão para o mercado internacional como prioridade. «Quisemos fazer a aposta a nível nacional para garantir alguma sustentabilidade, mas está na hora de partir à conquista de novos mercados. E para isso marcámos presença na Micam, para apresentar a nossa coleção outono-inverno 2016/2017, e estaremos por outras feiras em breve», conclui o sócio-gerente da marca.