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Os trunfos da Epson na estamparia digital

Num evento que reuniu empresários da indústria têxtil e vestuário, a Epson apresentou a Monna Lisa Evo Tre, a sua mais recente solução para estamparia digital e um dos trunfos com que pretende chegar a número um nesta área.

Conhecida no mundo por ser a “casa” de estrelas de Hollywood como George Clooney, a cidade de Como é também uma das capitais da indústria têxtil e vestuário e, nos últimos anos, soube reinventar-se e assumir o papel principal no sector da estamparia digital.

A Epson posiciona-se como uma impulsionadora desta nova realidade de Como, com investimentos na região desde 1998, primeiro em colaboração com a construtora de maquinaria F.lli Robustelli e a especialista em corantes e químicos For.Tex e, mais recentemente, com a integração destas duas empresas italianas no próprio grupo de origem nipónica. Uma evolução que ficou bem patente durante o evento Epson Textile R-Evolution, que o Jornal Têxtil acompanhou.

«Com a conclusão das aquisições em 2016, a Robustelli e a For.tex fazem atualmente parte do Epson Group e agora partilhamos todos o mesmo objetivo, espírito e determinação para expandir mais a nossa presença na indústria têxtil», afirmou Kazuyoshi Yamamoto, presidente da Epson Europe. «Somos um dos principais players na estamparia digital, mas não estamos satisfeitos. A nossa meta é sermos o número um», sublinhou durante a sua intervenção na conferência internacional da Epson em Como.

Uma ideia reforçada por Minouri Usui, presidente da Seiko Epson Corp, que fez questão de marcar presença no evento, que teve lugar a 20 e 21 de novembro. «O objetivo da Epson é expandir a presença na indústria da estamparia digital têxtil e em tornar-se uma empresa que é verdadeiramente indispensável», afirmou Usui perante uma plateia constituída por players da indústria têxtil e vestuário internacional, incluindo Portugal, como a Petratex, a Gulbena, a Adalberto, a Moretextile ou a Lameirinho.

Parte desse trajeto passou pela criação do Textile Solution Center, em 2014, para investigação, formação, promoção e desenvolvimento de estamparia digital. «O Textiles Solution Centre está disponível para qualquer pessoa que pretenda uma experiência única», adiantou Sandro Robustelli, diretor de produção da Robustelli.

Com cerca de 70 anos de história, a Epson, que começou como uma produtora de relógios, registou no ano fiscal de 2016 um volume de negócios consolidado de 8,6 mil milhões de euros e emprega atualmente cerca de 80 mil pessoas, «o que significa que temos apoio aos nossos clientes em 86 empresas distribuídas por todo o mundo», destacou Giovanni Pizzamiglio, diretor de vendas Pro Graphics da Epson Europe.

Um dos pontos fortes da empresa tem sido o investimento em I&D, que tem permitido o desenvolvimento da tecnologia de estamparia digital têxtil. Em março de 2017, a Epson contava com 47.246 patentes no currículo e, de acordo com os números apresentados por Pizzamiglio, todos os dias do ano fiscal de 2017 a empresa investe 1,4 milhões de dólares em I&D.

Kazuyoshi Yamamoto

A grande vantagem que a Epson quis passar foi, contudo, o desenvolvimento de soluções para a indústria têxtil completamente integradas e em consonância com as necessidades dos clientes. «Percebemos as vossas necessidades e temos os recursos para responder às mesmas e a vontade de as exceder. Continuamos a trazer novas ideias e produtos revolucionários para o mercado, dando-vos a oportunidade de utilizar as mais recentes, mais eficientes e mais poderosas tecnologias para impulsionar o vosso negócio», explicou Giovanni Pizzamiglio.

O mais recente lançamento das três empresas é o modelo MonnaLisa Evo Tre, que se vem juntar a um portefólio de produtos onde constam outros modelos da série Monna Lisa, mas também a SureColor F2000, para tingimento em peça, que segundo Minouri Usui terá sido usada «para estampar 36 milhões de t-shirts em todo o mundo desde o seu lançamento até agosto deste ano» ou a SureColor F9300, «lançada em setembro e já usada por muitas marcas líderes», assegurou o presidente da Seiko Epson Corp.

Giovanni Pizzamiglio

«De alguma forma trata-se de conhecer uma nova realidade, outro tipo de parceiro e de tecnologia. Este evento, para mim, serviu para ver até que ponto a união da Epson com a Robustelli, que já era um grande player, pode ser uma alternativa no futuro», revelou, ao Jornal Têxtil Rui Teixeira, CEO da Gulbena, que atualmente tem 27% do seu volume de negócios na estamparia digital.

O mercado da estamparia têxtil digital tem vindo a crescer, com o World Textile Outlook de 2016 a antecipar um crescimento de 17% ao ano, devendo atingir 7% do volume de negócios mundial de tecidos estampados em 2019. Atualmente, dos 22 mil milhões de metros quadrados de têxteis estampados, apenas 4% são realizados com tecnologia digital, com a Epson a avançar que 50 milhões de metros são estampados nos 350 equipamentos da série Monna Lisa espalhados pelo mundo.

Minoru Usui e Sandro Robustelli

Há, por isso, um número crescente de empresas a ponderar a expansão ou adesão à tecnologia digital. «O digital é o futuro», reconhece Jaime do Vale, administrador do grupo de têxteis-lar MoreTextile. «Neste momento temos outras prioridades, mas é um investimento urgente para quem, como nós, faz milhares de metros de estamparia e está na parte da moda em têxteis-lar», referiu ao Jornal Têxtil, adiantando que «algo a avaliar no próximo ano ou dentro de dois».

Segundo Marco Ricchetti, da consultora Blumine, «a estamparia digital é o novo cenário», acompanhando a mudança no mercado, que exige, cada vez mais, rapidez e pequenas séries, assim como soluções mais ecológicas. O estudo apresentado pelo consultor, tendo por base a estamparia de mil metros lineares de tecido, mostrou que o consumo de água é 27% menor na estamparia digital em comparação com a estamparia convencional, passando de 19.500 para 14.000 litros de água consumida. As reduções são igualmente evidentes no consumo de energia e nas emissões de dióxido de carbono.

Monna Lisa Evo Tre à lupa

A Monna Lisa Evo Tre é mais uma evolução do equipamento de estamparia digital, cuja primeira versão foi introduzida no mercado em 2003. Sandro Robustelli, diretor de produção da F.lli Robustelli, foi o responsável por explicar as características da Monna Lisa Evo Tre. Com 32 cabeças de impressão, a solução integra a tecnologia PrecisionCore da Epson, que permite responder a diferentes necessidades de produção, sendo capaz de estampar qualquer tipo de tecido com qualidade, rapidez e fiabilidade.

«A Epson sempre foi conhecida por ser um fornecedor muito fiável nas cabeças de impressão», apontou Mário Jorge Machado, presidente da Adalberto. «Esse é um dos pontos fracos da tecnologia de impressão, a durabilidade das cabeças de impressão – o seu tempo de vida anda à volta de um ano, o que é muito pouco para aquilo que são os requisitos do têxtil. As soluções que permitam que o tempo de vida de uma cabeça de impressão não seja de um ano, mas que se aproximem da meia dúzia de anos é aquilo que buscamos no sector têxtil. Em termos de precisão, estas cabeças permitem qualidades fantásticas de impressão, faltava aparecer alguém que tenha uma cabeça de impressão que permita ter maior durabilidade – esperemos que seja esta a cabeça que permite isso», explicou, no final do evento, ao Jornal Têxtil.

Em termos de cores, o espectro alargou-se para uma paleta de 12 tons, usando tintas Genesta desenvolvidas pela For.Tex, com corantes ácidos, reativos, dispersos e pigmentos. «O grande benefício da Epson Monna Lisa é ter sido pensada como uma solução completa: cabeça, impressora e tintas, onde o corante é desenhado para a cabeça para assegurar a fiabilidade e qualidade dos estampados», reforçou Paolo Crespi, diretor de vendas da For.Tex, que adiantou ainda que a possibilidade de usar pigmentos permite uma versão mais ecológica do processo. «Tem um processo mais curto – não é preciso vapor nem lavagem – e, como tal, uma pegada ecológica menor, porque não há introdução de água nem águas residuais para tratar», explicou Crespi, acrescentando ainda que o sistema exige «um menor investimento inicial».

Sandro Robustelli destacou ainda a possibilidade de atualização da tecnologia. «A F.lli Robustelli tem uma história comprovada e bem sucedida na estamparia digital, mantém uma cooperação contínua com a Epson e a For.tex, oferece soluções passíveis de serem atualizadas para vos manter sempre atualizados, dá apoio constante que nunca desilude e utiliza a tecnologia Epson PrecisionCore para elevada qualidade e rapidez», enumerou como vantagens.

Para Joaquim Brandão, gestor comercial da Texitalia, que representa esta solução da Epson em Portugal, a apresentação do novo equipamento «correspondeu à expectativa que já tinha, do tipo de máquina e do tipo de tecnologia e a adesão da Epson à industrialização da Robustelli que é, no fundo, isso a que estamos a assistir. É uma entrada da Epson na primeira pessoa no mercado têxtil, porque estava indiretamente com as máquinas produzidas pela Robustelli, e desenvolveu uma nova tecnologia, aproveitando a experiência construtiva da Robustelli que, em termos de qualidade e de eficiência, é tida pelo mercado italiano como a número um do mercado».