Início Notícias Mercados

Os trunfos de Marrocos

A fast fashion continua a ser um dos desígnios da indústria de vestuário marroquina, mas o país está também atento à sustentabilidade e à inovação. Numa altura em que os números do sector estão a crescer, há cada vez mais empresas a investir em Marrocos.

Assumindo-se como um fornecedor das grandes marcas internacionais, as exportações da indústria têxtil e vestuário de Marrocos estão em crescimento, assim como a sua economia.

Os investimentos internacionais têm alavancado o desenvolvimento, assim como a expansão das suas infraestruturas, vitais para a implantação de novos negócios. Para 2019, as estimativas apontam para que a economia do país registe um aumento na ordem dos 3%. As estimativas do Economist Intelligence indicam que o PIB deverá subir para 125,5 mil milhões de dólares (112,5 mil milhões de euros) em comparação com os 118,5 mil milhões de dólares de 2018.

UE é mercado principal

A indústria têxtil e vestuário é um dos sectores estratégicos do país. Com mais de 1.600 empresas e 185 mil trabalhadores, o sector representou, em 2018, 3,6 mil milhões de euros em exportações, equivalente a 15% do volume de negócios da indústria.

Entre os países do Mediterrâneo, é o segundo maior exportador para a UE, para onde enviou o equivalente a 2,98 mil milhões de euros (+2,4% do que em 2017), dos quais 2,73 mil milhões de euros em vestuário.

Jean- François Limantour e Mohammed Boubouh (AMITH)

Os números do Eurostat apresentados por Jean-François Limantour, consultor estratégico da AMITH, durante uma conferência sobre a ITV marroquina na Maroc in Mode, mostram ainda que, no primeiro semestre de 2019, a UE importou 1,39 mil milhões de euros de Marrocos, um crescimento de 3,86% face ao mesmo período de 2018. Em 2018, Marrocos detinha uma quota de 3,2% no vestuário importado pela União Europeia, um aumento face aos 2,9% de 2015 que, contudo, está ainda longe dos 4,4% que tinha em 2007.

Entre 2012 e 2018, a taxa média de crescimento das importações da UE provenientes de Marrocos rondou 5,1%, acima da da Turquia (+2,7%), da da Tunísia (+0,5%) e da média geral de todos os fornecedores (+4,2%). Mas, acredita Limantour, «há ainda uma margem importante de progressão».

Em termos de produto, Marrocos exportou para a União Europeia sobretudo calças (523,6 milhões de euros em 2018, equivalente a 51,9 milhões de peças a um preço médio de 10,08 euros), vestidos (324,7 milhões de euros, o que representou 38,9 milhões de peças a 8,35 euros, em média), blusas de senhora (312,8 milhões de euros, equivalente a 49,5 milhões de peças com um valor médio de 6,31 euros) e casacos e sobretudos de senhora (279,3 milhões de euros, que representa o envio de 13,7 milhões de peças, a um preço médio de 20,4 euros).

Investimentos estrangeiros

A estabilidade política e social no país, a proximidade à Europa, a sua posição geoestratégica favorável e um salário mínimo abaixo de outros países produtores como a Turquia e a China, criam um ambiente positivo que, segundo a organização da Maroc in Mode, a cargo da AMITH, está a atrair investimento estrangeiro de países como Espanha, Turquia, China e Portugal.

Luís Lima (João António Lima Malhas)

É o caso da João António Lima Malhas, uma das expositoras portuguesas presentes na recente edição da Maroc in Mode, que este ano criou uma empresa em Marrocos para a comercialização dos seus artigos no Norte de África. «Achamos que o futuro passa por aqui», indica Luís Lima, diretor de produção e desenvolvimento da produtora de malhas. «O nosso know-how faz muita falta cá, eles ainda estão numa fase embrionária», explica ao Portugal Têxtil. A empresa em Marrocos é, atualmente, gerida a partir de Portugal, contando com apoio local em regime de freelance. «Provavelmente daqui a algum tempo podemos pensar em ter aqui uma equipa», acredita Luís Lima. «Achamos que Marrocos é, na realidade, o futuro da têxtil», conclui.