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Osklen em defesa de um futuro “verde”

A marca brasileira há muito se tornou numa referência na responsabilidade ambiental e social. Em 2007, criou mesmo um instituto para promover o Brasil como uma referência no desenvolvimento sustentável. O Instituto E está agora a trabalhar com diversas marcas e já recebeu contactos de empresas portuguesas.

Fundada há 30 anos por Oskar Metsavaht, a Osklen, que tem 70 lojas no Brasil e pontos de venda próprios nos EUA e no Japão, além de estar representada em lojas multimarca um pouco por todo o mundo, assumiu a sustentabilidade como missão «há 20 anos», afirmou Nina Braga, diretora do Instituto E, durante a iTechStyle Summit’19. E foi com essa vocação que criou o Instituto E para ajudar a tornar o país uma referência na sustentabilidade.

«O Brasil tem todas as condições para se diferenciar nesta área: biodiversidade das mais ricas do mundo, população carente de oportunidades de trabalho, um multiculturalismo enorme», enumerou Nina Braga.

Nina Braga

Os primeiros passos do Instituto E foram mesmo dados na identificação dos materiais sustentáveis que pudessem ser usados na indústria da moda, levando os investigadores a percorrerem a Amazónia e outras zonas do Brasil em busca de novas matérias-primas. Entre esses materiais está a pele do peixe pirarucu, que integra atualmente as coleções da marca de vestuário e acessórios. Concretizada em parceria com uma comunidade piscatória, a utilização de pele de pirarucu permite também trazer benefícios sociais. «Aumentou o rendimento das comunidades», sublinhou Nina Braga.

Um outro projeto, a coleção de acessórios e-Ayiti, foi concretizado em parceria com artesãos do Haiti e o projeto Ashaninka, realizada com uma tribo na fronteira com o Peru.

Os produtos resultantes têm tido um procura crescente, sobretudo entre as classes mais altas, nomeadamente no Brasil. «A classe média brasileira tem hoje uma questão de sobrevivência muito forte. Se as questões básicas não estão resolvidas, é preciso poupar dinheiro para, por exemplo, pagar a escola do filho, para pagar o seguro de saúde, porque senão não tem acesso a essas coisas básicas. Então o que acontece é que eles não têm uma folga de orçamento. Muitas vezes querem comprar mas não podem comprar. Isso é um facto inegável. Por isso não se vê o crescimento [das vendas] entre essa classe. Na classe com poder aquisitivo maior, aí sim vê-se um aumento. A questão é: “não vou comprar 10 itens, vou comprar poucos itens mas de boa qualidade, que são duráveis e que têm consciência sócio-ambiental. É isso que estamos a ver hoje», explicou Nina Braga ao Portugal Têxtil. «Por exemplo, no outro dia mostramos o que estava por trás de uma peça. Era um colar muito bonito e quando contamos o que estava por trás, a peça esgotou em um dia. Há uma ânsia das pessoas consumirem este tipo de artigos que são bonitos e que têm toda uma ética por trás», acrescentou.

Pele de pirarucu

A Osklen não é, contudo, completamente sustentável, daí o projeto ASAP, que significa “As Sustainable As Possible, As Soon As Possible”. «Vamos fazendo o que é possível e vamos avançando a pouco e pouco», assegurou. «A nossa meta é chegar à economia circular», revelou Nina Braga.

Internacionalizar a sustentabilidade

Além da Osklen, o Instituto E trabalha igualmente com outras marcas e entidades e a procura tem vindo a aumentar. «O interesse é crescente. E não estou a falar só do Brasil – estamos a ser procurados por marcas fora do Brasil», indicou, ao Portugal Têxtil, a diretora do Instituto E, nomeadamente na Europa, como em Inglaterra e em França.

Projeto E-Ayti

Em Portugal, há também contactos que estão a ser feitos. «Portugal está a ter uma estratégia de tornar a indústria têxtil portuguesa com um foco na sustentabilidade. Portugal está a sair na frente, a enxergar o futuro nesse sentido», reconheceu Nina Braga, que apontou a utilização de energia renovável e o investimento em novas tecnologias e materiais como pontos a favor. «O que falta à indústria têxtil em Portugal, no meu entender, é comunicação, o branding. Valorizar isso. Porque o que vocês estão a fazer é absolutamente admirável. Só que não é todo o mundo que conhece. A indústria têxtil portuguesa está muito adiantada. Só falta comunicar tudo o que está a fazer, porque é absolutamente louvável», garantiu Nina Braga.