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Otimismo domina campanhas

O cinzentismo e as más notícias do mundo estão a ser combatidos pelas marcas com campanhas otimistas e positivas. Encontrar a felicidade nas pequenas coisas e nas pessoas que nos rodeiam parece agora ser a missão de algumas insígnias, incluindo no universo da moda.

Madhappy

O estudo do Business of Fashion e da McKinsey “The State of Fashion 2018” junto de executivos revelou que a palavra “otimismo” era a terceira mais comum para descreverem os seus sentimentos em relação à indústria da moda. No último ano, os conceitos de otimismo inspiraram campanhas em diversas indústrias.

Os criativos da indústria tentaram, inclusivamente, fazer um rebranding da chamada “Blue Monday” – supostamente o dia mais triste do ano. Ben Middleton, diretor criativo na Creature, escreveu um artigo para a Campaign Live em janeiro de 2019, sugerindo que a Blue Monday seja rebatizada “Big Happy Yellow Optimistic Day” (algo como “grande dia amarelo feliz e otimista”).

Os marketers querem otimismo, tendo fugido do idealismo para uma perspetiva mais positiva para o futuro com base em dados. Apesar da enorme quantidade de más notícias e informação negativa que é veiculada pelos meios de comunicação social, as estatísticas mostram que o mundo está, de facto, a tornar-se melhor.

Espalhar felicidade

As marcas estão a entrar no conceito de procurar e partilhar a felicidade. A Soulcycle aproveitou o dinamismo do início do ano para lançar o “desafio da felicidade”, um programa de um mês que promove hábitos de exercício saudáveis e meditação: «a felicidade não é algo que simplesmente acontece-te – é um hábito, uma prática diária».

Pocky

Já a empresa online de entrega de comida Deliveroo colocou como novo propósito da marca a procura incansável por entregar “felicidade na comida”. A marca celebra a felicidade e a liberdade na comida em todas as suas formas, de um hamburger num sábado de ressaca a um caril tailandês para uma madrugada no escritório.

Os snacks Pocky também criaram uma campanha centrada na partilha da felicidade, no qual partilhar um Pocky se torna em algo mais do que simplesmente partilhar um lanche.

Juntos somos mais fortes

Numa altura em que a sociedade está fraturada, os marketers estão a focar-se no poder da unidade, adotando uma visão positiva para uma comunidade cada vez mais global.

Coca-Cola

A campanha “Together is Beautiful” da Coca-Cola nas redes sociais encoraja os indivíduos a partilhar selfies que celebrem o que os torna bonitos e diferentes. A mensagem pretende «espalhar o otimismo, uma garrafa de cada vez, ou talvez duas garrafas para partilhar» e juntar as pessoas, independentemente da raça, género, religião, profissão ou ponto de vista.

A marca de vestuário Peace Collective lançou a campanha “UnravelHate” que regenera um chapéu “Make America Great Again”, que está associado à campanha anti-imigrantes de Donald Trump, fio a fio, num chapéu “Welcome to Canada” (bem-vindo ao Canadá), transformando-o numa mensagem de aceitação e esperança.

Com foco em experiências humanas, a Nordstrom lançou o slogan “Uma mente aberta é o melhor look”, para celebrar a humanidade.

Positivismo para o futuro

As marcas abraçaram as mensagens positivas para o futuro, mostrando como os dados podem criar experiências positivas para o utilizador.

Vodafone

A Mike’s Hard Lemonade lançou a campanha “The Brighter Times” para relembrar as pessoas do «potencial de espalhar felicidade” com uma boa notícia, criando um “(S)ad blocker”, isto é, um bloqueador de más notícias para os leitores do Washington Post online, que com isso só veem boas notícias.

Na campanha do HomePod da Apple, a bailarina FKA Twigs é tirada da sua existência monótona, solitária e corporativa pela Siri, que põe música a tocar e despoleta uma mudança no apartamento, que se transforma num mundo de cores e luzes.

Através da canção “Help” dos Beatles, a Vodafone fez um rebranding mundial com a expressão “Future Optimism”, que em Portugal se traduziu em “O futuro é incrível”, dando foco também aos efeitos positivos que a tecnologia terá nos próximos anos.

Ser otimista está na moda

Os responsáveis de marketing de marcas de moda passaram uma mensagem otimista, fresca e jovem nas suas campanhas ao longo de 2018.

JW Anderson x Converse

A marca de denim Levi’s criou uma coleção para o Ramadão para homens e mulheres, que foi lançada na Malásia e na Indonésia, batizada “Live positive, Live in Levi’s” (que em português pode ser traduzido por “Viva positivamente, Viva em Levi’s”). A campanha e o clip de vídeo pretendiam inspirar as pessoas a «espalhar o otimismo, o amor e o perdão, no verdadeiro espírito do Ramadão».

A Converse e a JW Anderson, com o realizador Larry Clark, criaram um anúncio, protagonizado pela francesa Camille Jensen, modelo e estrela do Instagram, mais subtil, direcionado para os millennials e a Geração Z, que passa uma sensação de juventude e hedonismo.

África em alta

De acordo com um estudo a jovens da Streetbees, 87% dos sul-africanos entre os 18 e os 24 anos são positivos em relação ao seu futuro. Os marketers estão a criar estratégias à volta dessa sensação local de otimismo.

Johnnie Walker

A marca de whisky Johnnie Walker concebeu a campanha “Keep Walking South Africa”, que celebra as histórias de sucesso de sul-africanos e inspira outros. O anúncio, que incluiu o medalhado de ouro dos Jogos Olímpicos Chad Les Clos, teve mais de 70 milhões de visualizações.

Outra marca de bebidas espirituosas, a Scottish Leader, lançou a campanha “Afro-otimista”, batizada “I See a diferente perspective”, juntamente com o coletivo criativo sediado no Soweto I See a Different You, que se foca em retratar a experiência africana, por africanos, de uma forma positiva.

A sorrir desde o início

Há mesmo marcas que, desde que nascem, adotam como lema o otimismo.

A marca de lifestyle “otimista” Madhappy, sediada em Los Angeles, tem como missão oferecer sportswear e clássicos aos millennials ao mesmo tempo que combate problemas sociais. A marca lançou um blogue com conversas sobre saúde mental com figuras populares, incluindo o stylist das celebridades Ugo Mozie, a designer Colby Mugrabi e o DJ e empresário canadiano Brendan Fallis.

A Random Happiness também emergiu como um coletivo de «criadores e agentes de mudança, empenhados para com a felicidade como ferramenta revolucionária». Colabora com universidades e empresas para criar workshops direcionados para o futuro e desenvolve trabalhos artísticos para museus e galerias para «mudar o status quo infeliz».

Random Happiness