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Otimismo no retalho

Com os números relativos às vendas da quadra natalícia a serem apresentados como dececionantes, os retalhistas provaram o travo amargo do final de 2015. E, até agora, 2016 não parece estar a tomar um rumo diferente. Ainda assim, os principais CEOs do sector mostram-se otimistas.

Representando os gastos dos consumidores mais de dois terços da atividade económica dos EUA, vale a pena ouvir o que os líderes do retalho têm vindo a declarar, numa tentativa de medir o pulso ao consumo dentro das fronteiras norte-americanos, analisa a CNBC.

Vários economistas reuniram-se com o conselho da National Retail Federation (NRF) no fim de semana passado e Matthew Shay, CEO da NRF, revelou que poucos foram os CEOs do retalho que se mostraram pessimistas em relação a 2016. «Penso que houve muito mais otimismo e entusiasmo sobre as oportunidades que teremos pela frente, mas não há dúvida de que ainda existem alguns desafios na economia, que são talvez mais ao nível da macroeconomia do que especificamente para o retalho», explicou Shay.

De acordo com Matthew Fassler, da Goldman Sachs, embora as vendas no retalho e o consumo tenham moderado, ainda estão ambos claramente em território positivo. E os consumidores continuarão a ter um nível saudável de crescimento na sua capacidade de gastar ao longo do ano. Fassler acrescentou ainda que a economia industrial costuma contrair sem um movimento similar nos gastos do consumidor.

Os CEOs encontram também uma série de fatores que consideram contribuir para as mudanças nos padrões de compra dos consumidores. «Os consumidores estão à procura de experiências, sejam elas viagens ou entretenimento», referiu Mindy Grossman CEO da HSN Inc. «Estão à procura de produtos diferenciados, coisas com significado. Portanto, a nossa perspetiva sobre isso é que é necessário ser realmente diferente, criar uma experiência e uma conexão emocional com o cliente, se o que se pretende é que ele gaste», acrescentou sobre a investida do retalho no território das experiências (ver O boom das experiências).

Os consumidores estão a comprar em pequenos e inusitados espaços comerciais, defende Steve Sadove, ex-CEO da Saks e atual membro do conselho da JCPenney, Ruby Tuesday e National Retail Federation. «As vendas em empresas com menos de 50 milhões de dólares apresentaram o dobro da taxa de crescimento das empresas maiores, pelo que o consumidor está, na verdade, relativamente saudável, mas está a comprar de forma diferente», afirmou Sadove. «Os consumidores não querem produtos de vestuário que estão disponíveis em todos os lugares, preferem algo que seja verdadeiramente diferente», sublinha ainda o ex-CEO da Saks.

Já o CEO da Macy’s, Terry Lundgren, sublinhou em entrevista que a temporada de férias foi difícil para a empresa, mas deu a entender que a descida de temperatura em janeiro está já a ajudar. Os consumidores também estão a concentrar os gastos em automóveis, restaurantes e viagens, acrescentou Lundgren. «Eu já assisti a este filme várias vezes e estas são coisas cíclicas que acontecem. E o ciclo em que estamos agora vai, provavelmente, estender-se durante algum tempo, mas não para sempre», admitiu o CEO da Macy’s, grandes armazéns que entretanto anunciaram o encerramento de lojas e despedimento de pessoal (ver A dança dos consumidores).