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Outerwear: o próximo objeto de cobiça

Gabardinas, parkas e casacos acolchoados compõem a tríade de outerwear da estação, muito graças às memórias dos desfiles de fevereiro último, dedicados ao outono-inverno 2017/2018. Marcas como Moncler, Yves Salomon e Balenciaga estão a transformar o outerwear na nova categoria de luxo.

Moncler

As silhuetas-casulo, que se caracterizam pelo recurso ao outerwear de enchimento, começaram por conquistar as passerelles, depois os portais da especialidade e, por fim, as ruas. Lado a lado têm vindo a caminhar as peças impermeáveis e encapuzadas.

«Não acho que se possa ignorar o lado do consumo. Quando se usa um casaco da Canada Goose, as pessoas sabem que se gastaram centenas de dólares nele», afirma Matt Powell, analista do NPD, em declarações ao portal de moda The Business of Fashion. «O outerwear pode vir a ser a próxima “It bag”», sublinha.

Lisa Aiken, diretora de moda e retalho da Net-a-Porter, corrobora as afirmações de Powell, reconhecendo que «as mulheres querem versatilidade e múltiplas opções».

Os retalhistas têm estado atentos, aumentando o investimento na categoria.

Canada Goose x Vetements

Net-a-Porter, MatchesFashion e Nordstrom, por exemplo, aumentaram as compras de outerwear nas últimas três estações.

«Aumentámos a categoria em 105% comparativamente ao ano passado», revela Aiken.

Já Natalie Kingham, diretora de compras de moda feminina na MatchesFashion, esclarece que as compras de outerwear de luxo para o outono-inverno 2017/2018 – incluindo artigos de marcas como Balenciaga, Joseph e Calvin Klein – cresceram a três dígitos.

«Existe uma necessidade clara no mercado de produtos que sejam mais confortáveis e utilitários», garante Andrea Bucalossi, diretor-geral da marca de outerwear de luxo Mr and Mrs Italy, conhecida pelas suas parkas militares.

Entre 2015 e 2016, a receita da empresa subiu 250%, para os 37 milhões de euros, e agora a Mr and Mrs Italy vende para mais de 30 países, em lojas como a Barneys, MatchesFashion e Lane Crawford.

De acordo com o Euromonitor, o mercado global de outerwear de luxo atingiu os 11 mil milhões de dólares (aproximadamente 9,4 mil milhões de euros) no ano passado, face aos 8,75 mil milhões de 2011.

Todos querem uma fatia do bolo

Uma nova onda de marcas emergentes, incluindo a Off-White, Saks Potts e a Awake, também estão a capitalizar com o boom. Enquanto isso, marcas de herança como a Canada Goose, Moncler e a Yves Salomon estão a procurar reposicionar-se no mercado com a febre do outerwear, expandindo os respetivos leques de produtos.

«Continuamos a expandir e a aprimorar a nossa oferta básica de produtos, permanecendo fiéis às nossas origens e herança», confessa Dani Reiss, presidente da Canada Goose.

Balenciaga

A marca de outerwear popular em todas as cidades frias dos EUA é também uma das favoritas da indústria cinematográfica e já subiu às passerelles, levada pela mão de marcas como Vetements.

Apesar das suas origens – nos primeiros anos de vida, a Canada Goose fabricava outerwear para expedições nas geografias mais agrestes do globo –, as peças da marca souberam posicionar-se dentro do mercado de luxo, sendo vendidas em lojas sofisticadas como Saks Fifth Avenue e Nordstrom, além de poderem ser encontradas nos espaços exclusivamente dedicados ao outdoor. Em 2016, a Canada Goose registou 103,4 milhões de dólares em vendas nos EUA, superando os 95,2 milhões no Canadá e os 92,2 milhões de dólares acumulados no resto do mundo.

A verdade é que, em última análise, comparativamente às bolsas, o outerwear de luxo tem margens mais baixas e enfrenta maiores descontos face à marroquinaria em pele.

Em 2016, o valor do mercado global de bolsas de luxo rondava os 38,8 mil milhões de dólares, 77% mais do que o mercado global de outerwear de luxo nesse mesmo ano.

«[O mercado de bolsas] tornou-se gigantesco porque é perfeito para transmitir e comunicar o status. O outerwear não é assim», conclui Luca Solca, especialista em artigos de luxo no BNP Exane Paribas.