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Outlets» invadem Itália

O fenómeno das grandes superfícies de venda livre – os “outlets” – chegou em força a Itália e constitui um novo canal de vendas para os fabricantes têxteis e de vestuário, bem como para os produtores de outros bens de consumo. Actualmente estão em estudo dez novos projectos para “outlets” em Itália, e apesar de nem todos virem a ser aprovados, os próximos anos trarão uma grande proliferação de superfícies deste género. Este tema foi abordado no Fórum «Os outlets no Sector da Moda», realizado em Outubro em Florença, e que contou com a participação de duas empresas americanas de renome neste sector, a Prime Retail e a Winston & Strawn. A Prime Retail, um dos maiores construtores de centros comerciais dos Estados Unidos, acredita que o mercado europeu está pronto para a entrada dos “outlets”. Neste país existem já 5.393.000 m2 de espaços retalhistas de “outlets”, para um total de 275 milhões de consumidores, enquanto na Europa há apenas 888.000 m2 para um total de 375 milhões de consumidores. No entanto, existem certas diferenças entre o mercado norte-americano e o europeu, que devem ser levadas em conta pelos construtores e promotores destes espaços comerciais. Assim, as licenças de construção são mais difíceis de obter na Europa, as dimensões e o design das lojas são diferentes, as estruturas de arrendamento são diferentes, e a mistura de arrendatários e gostos também variam. Apesar destas diferenças, os centros comerciais “outlet” têm registado um grande sucesso em França e no Reino Unido, e a Itália deverá seguir a mesma tendência. Actualmente, a Itália é dominada por pequenas lojas individuais. Só no sector do vestuário, existem 113.000 lojas, o que constitui o maior número entre os países europeus. Ao todo, a grande distribuição em Itália é responsável por 37% dos gastos em bens de consumo, valor que deve subir para 47% em 2005. Em Itália, existem presentemente dois “outlets” e projectos para mais dez. A Prime Retail e o seu parceiro italiano, SVIM, estão a construir um destes espaços comerciais em Santhia, entre Milão e Turim. Este espaço terá a forma de um castelo e adoptará o conceito americano do centro comercial como uma pequena aldeia. Alguns fabricantes italianos possuem já os seus próprios “outlets”, caso da Gucci, que abriu o seu espaço deste tipo em 1996, e que devido ao grande sucesso que obteve, viria a ser transformado num centro comercial, que vende actualmente produtos de seis marcas diferentes, e que em breve passará a dispor de 18 marcas de produtos e acessórios. O grande desenvolvimento dos “outlets” em Itália é assim uma tendência que vem trazer boas oportunidades de crescimento para a indústria têxtil e do vestuário, assim como para os sectores da construção, imobiliário e distribuição.