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Pablo Isla destaca força da Inditex

A crise sanitária provocou uma revisão na estratégia da Inditex: acelerar a digitalização e fechar mais lojas. O grupo espera fazer 25% do total da faturação em vendas digitais dentro de três anos.

Pablo Isla [©Inditex]

Com mais de 94% das lojas reabertas, a gigante Inditex admite que a pandemia serviu para demonstrar a flexibilidade e a força do modelo de negócio do grupo, que durante o confinamento se viu obrigado a fechar 88% do total das suas lojas espalhadas pelo mundo.

«A flexibilidade é algo inerente ao nosso modelo de negócio. Significa a nossa capacidade de reação, de adaptarmos as circunstâncias e não comprometer uma percentagem alta de compras com antecedência», sublinhou Pablo Isla, presidente executivo do grupo, durante a assembleia geral de acionistas que teve lugar esta terça-feira, citado pelo periódico Cinco Días.

Esta é a primeira reunião de acionistas depois do grupo, dono da Zara e da Massimo Dutti, ter apresentado os primeiros resultados negativos da sua história. O grupo fechou o primeiro trimestre do ano (fevereiro a abril) com um resultado líquido negativo de 409 milhões de euros, valor que compara com os 734 milhões de euros positivos no período homólogo do ano anterior.

Pablo Isla frisou que o primeiro trimestre do ano esteve «muito condicionado» pelo coronavírus, mas destacou que a 13 de julho a Inditex já tinha 94% das suas lojas reabertas.

O presidente do grupo afirmou ainda que a crise sanitária provocou uma revisão na estratégia da Inditex, que passa por acelerar a digitalização e fechar mais lojas.

Apesar dos constrangimentos da pandemia, as vendas online da Inditex cresceram de forma «muito relevante», segundo Pablo Isla. O online cresceu 50% no primeiro trimestre fiscal do grupo, com um incremento de 95% em abril, o primeiro mês completo de confinamento.

A empresa incluiu nos resultados do primeiro trimestre uma provisão de 308 milhões de euros para o programa de otimização de espaço, através do qual vai fechar lojas de menor dimensão. Sem esta medida, as perdas teriam sido de 175 milhões de euros.

O grupo planeia integrar as vendas online e as lojas físicas em todos os países onde opera sob a plataforma Inditex Open Platform. Desde 2012, a retalhista espanhola investiu mais de 2,5 mil milhões de euros em tecnologia.

A gigante espanhola tem já integradas as lojas físicas e digitais em 72 mercados. Neste contexto, destinará até 2022, mil milhões de euros para impulsionar a venda online e outros 1,7 mil milhões de euros em melhorias e digitalização das lojas e da logística.

O grupo Inditex prevê que as vendas online alcancem os 25% da faturação dentro de três anos. Atualmente o online tem um peso de 14% nas contas do grupo.

A reunião magna de acionistas aprovou as contas de 2019 e o pagamento de um dividendo referente a 2019 de 0,35 euros, 60% menos do que o dividendo pago no ano anterior. A empresa suspendeu o pagamento do dividendo extraordinário de um euro na parte referente a este ano. O dividendo extraordinário ia ser pago em 2019, 2020 e 2021.

«Em 2019 mantivemos uma sólida posição financeira que nos permite combinar o investimento em crescimento do negócio com a geração de caixa e uma política atrativa de distribuição de dividendos», referiu Pablo Isla. «Geramos muita liquidez e a prioridade é reinvestir no crescimento do negócio com uma política atrativa de dividendos”, assegurou o presidente do grupo.