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Países africanos discutem a produção de algodão

Os países membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, conhecida por SADC (Southern Africa Development Community), estão a planear a definição de estratégias para relançar a produção de algodão de forma integrada e atrair investimentos nesta área. A discussão teve lugar numa reunião organizada pela Oxfam-America em coordenação com o Southern and Eastern African Trade Information and Negotiations Institute (SEATING), e a Association for Organic Agriculture, Biodiversity and Sustainable Development.

Com sede em Gaborone, no Botswana, a SADC é actualmente composta por: África do Sul, Angola, Botswana, República Democrática do Congo, Lesoto, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué.

Discursando na sessão de abertura da reunião, o Presidente de Moçambique, Alfredo Namitete, atacou os subsídios dados pelos países industrializados aos seus próprios produtores de algodão. Alfredo Namitete referiu que os subsídios de exportação e outras medidas de apoio governamental devem ser eliminados, de forma a privilegiar o acesso aos mercados por parte dos produtores de algodão de países em desenvolvimento.

Reconhecendo a importância económica do algodão nas exportações dos países em desenvolvimento, o Presidente moçambicano congratulou a União Europeia (UE) pelas medidas concretas para a concretização de uma parceria entre a UE e África, com o objectivo de apoiar os países africanos produtores de algodão.

As questões associadas aos subsídios do algodão surgem numa altura em que a Organização Mundial de Comércio (OMC) deliberou sobre a disputa entre o Brasil e os EUA (ver notícia no Portugal Têxtil), referindo que os subsídios norte-americanos aos seus produtores estão a violar as regras comerciais estabelecidas pela OMC.

Moçambique introduziu a produção de algodão durante a década de 1930, atingindo o seu ponto mais alto em 1974, com uma produção anual de 144.000 toneladas. Actualmente, cerca de 300.000 famílias estão envolvidas na produção de algodão, fundamentalmente nas províncias de Nampula e Cabo Delgado, sendo as empresas do sector responsáveis por 20.000 postos de trabalho. Desde 1998 Moçambique tem registado uma produção de algodão entre as 80.000 e as 100.000 toneladas por ano, sendo esta quebra resultado dos baixos preços do algodão no mercado mundial.