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Países africanos planeiam investimento no têxtil

Confrontados com a queda das vendas de algodão em rama na região e incapazes de competir com as exportações subsidiadas com origem nos EUA, os ministros de 12 países produtores de algodão da África Ocidental acordaram realizar um investimento massivo na produção de têxteis. Os ministros do Benim, Burquina Faso, Costa do Marfim, Guiné Bissau, Nigéria, Senegal e Togo planeiam ainda montar um plano regional de formação para os trabalhadores têxteis, tendo já anunciado a reabertura da Ecole Superieure des Industries Textiles em Segou no Mali. Os sete países da África Ocidental e a Comissão Económica dos Países da África Central (CASEC) procuram 319 milhões de euros de investimentos para criar a infra-estrutura necessária para transformar o algodão em produto final. Apenas 5% do algodão em rama produzido é processado na região da União Monetária e Económica da África Ocidental (WAEMU), um valor reduzido quando comparado com os 62% dos EUA, os 91% da China ou os 100% verificados na Índia. Das 41 fábricas que operavam na região nos anos 80, apenas 20 continuam em funcionamento. Estas empresas recebem apenas um quinto da facturação do mercado na região, estimado em mil milhões de euros, onde metade do valor é ganho pelas importações fraudulentas e 17% pelo vestuário em segunda-mão. Esta iniciativa faz parte da estratégia comum adoptada pelos ministros do comércio e agricultura da região, com a participação do Sudão, em Burquina Faso no dia 18 de Junho, com o objectivo de promover o algodão da região no mercado mundial e processá-lo nos países da WAEMU e da CASEC. Conforme refere Victor Ndiaye, autor de um estudo sobre a identificação e promoção do algodão na África Ocidental, «é uma regra de economia que as matérias-primas perdem mais valor ao longo do tempo do que os produtos finais, cujo valor aumenta ao longo do tempo. Quanto maior a transformação, maior o valor acrescentado adquirido». Ndiaye refere que os países da região, apesar de serem produtores de matérias-primas, não conseguiram aumentar a sua riqueza. O futuro da região deve pois passar pela aposta na produção de produtos finais, aproveitando os recursos disponíveis em matérias-primas. De acordo com as previsões, 50.000 postos de trabalho serão criados com o processamento de 25% da colheita de algodão da região da WAEMU. De acordo com Ndiaye, o continuo consumo de artigos importados contribui para a falta de emprego que se verifica na região. Os países da WAEMU darão prioridade à produção de fio, devido às diferenças de preço verificadas noutros artigos se produzidos na região, nomeadamente menos 40% nos tecidos estampados e menos 20% em tecidos não-branqueados. As empresas produtoras de algodão, que perdem 219 milhões de euros por ano devido aos subsídios, apelaram à OMC para compensações e para parar com os subsídios fornecidos aos produtores de algodão por parte dos governos de países desenvolvidos. Em 2002 os EUA deram cerca de 3,5 mil milhões de euros em subsídios aos agricultores de algodão, um valor três vezes superior ao que foi dado em ajudas à região da África sub-saariana. Os subsídios originaram um excesso de produção de algodão, causando a queda do seu valor desde os anos 90. Em 10 de Junho, o presidente do Burkina Faso, Blaire Compaore compareceu perante o Comité de Negociações Comerciais da OMC em Genebra para exigir «mais justiça e igualdade» para os milhões de produtores de algodão da África Ocidental e Central. Em 2001, os países desenvolvidos deram aos seus agricultores um valor em subsídios seis vezes superior do que as ajudas monetárias para o desenvolvimento. Como exemplo, o Mali em 2001 recebeu 32,5 milhões de euros em ajuda, mas perdeu 37,7 milhões de euros devido à queda nas receitas das exportações causada pelos subsídios. No mês de Abril, o Benin, Burquina Faso, Mali e Chad apelaram à OMC para discutir a questão do subsidio na sua próxima reunião de ministros a realizar em Cancun no México. Em 2001, o algodão representou cerca de 30% das receitas de exportação destes três países. Os ministros do comércio e agricultura da África Central e Ocidental encontraram-se em Ouagdougou, capital do Burquina Faso no mês de Junho, para discutir os preparativos para a conferência da OMC em Cancun a realizar em Setembro. Esta reunião confirmou o empenho e a união dos países envolvidos, criando um optimismo generalizado para a resolução das questões relacionadas com o algodão.