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Países desenvolvidos recuperam

A produção de vestuário nos EUA subiu no terceiro trimestre de 2013 pela primeira vez em muitos anos – indicando uma recuperação económica sustentada mas também sugerindo que os esforços para aumentar a produção doméstica podem estar a começar a dar frutos. No seu mais recente relatório, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) revelou que a produção de vestuário nos EUA subiu 3,9% no trimestre. Um crescente número de produtores de vestuário americanos, responsáveis do governo e líderes da indústria têm trabalhado em iniciativas para aumentar a produção interna. O Wal-Mart, por exemplo, comprometeu-se a comprar mais 50 mil milhões de dólares (cerca de 36,8 mil milhões de euros) em produtos feitos nos EUA nos próximos 10 anos. Em novembro anunciou planos para aprovisionar calçado de uma nova fábrica nos EUA como parte desse compromisso. Outras empresas incluem a produtora de botas Merchant House International, que em setembro anunciou estar a mudar a produção de uma linha de calçado da China para os EUA em resposta à crescente procura dos clientes de retalho americanos. Segundo o sócio sénior e diretor-geral do Boston Consulting Group, Hal Sirkin, a diminuição da diferença de salários entre os EUA e a China irá levar à produção nos EUA. Durante o trimestre, a produção de vestuário nos países industrializados como um todo também registou um aumento de 0,4% – o primeiro aumento desde 2010. Um valor que contrasta com o declínio de 7,4% no trimestre anterior. Os números da Unido mostram ainda que a produção de vestuário subiu 1,8% na Austrália. No Brasil, Índia e México, contudo, o aumento foi de apenas de 0,4%, 1,2% e 1%, respetivamente. Os custos mais elevados dos fatores de produção, incluindo o custo da energia, uma baixa procura e uma redução da perda de capital dos países industrializados foram os principais obstáculos ao crescimento da produção nestas regiões durante o trimestre. Na Europa, a produção na Dinamarca aumentou 9,4% e na Alemanha 3,2%. A Irlanda revelou o maior crescimento: 11,5%. Apesar disso, a Unido sublinhou que a recuperação nos países da Zona Euro continuou «frágil» durante o trimestre, com a produção a ter descido novamente em França e em Itália. Fora da Zona Euro, a produção na Noruega cresceu 3,9% e na Suíça 9,4%. Na Federação Russa, contudo, caiu 7%. Apesar de tudo isto, ainda continua a haver um movimento em direção à Ásia. A crescente procura dos países industrializados significa que a produção de vestuário subiu 7,3% nas economias em desenvolvimento e emergentes. Segundo o relatório da Unido, a China manteve uma taxa de crescimento «excecionalmente elevada» de 9,3% no trimestre. Dados adicionais do Índice de Gestores de Compra (PMI) mostram que os níveis de produção dos produtores chineses aumentaram pelo quarto mês consecutivo em novembro e à taxa mais acelerada desde março. Isto apesar de um dos principais importadores da China, o Japão, ter começado a procurar fora da China devido a preocupações com a inflação dos custos, agitação laboral e facilidade de expansão das unidades de produção. Numa análise à produção mundial como um todo, os dados da Unido mostram que a produção mundial aumentou a um ritmo modesto de 2,4%, no seguimento da recuperação nos países industrializados. O relatório indica que as mais recentes estimativas da produção mundial revelam que «a recuperação da recessão continua a avançar», acrescentando que foram observadas algumas mudanças positivas no crescimento industrial nas economias industrializadas. A produção dos EUA aumentou 2,3% no trimestre. Segundo o relatório, «as recentes melhorias nas taxas de emprego na indústria contribuíram significativamente para o aumento dos rendimentos das famílias dispostas a gastar em bens de consumo e automóveis». No geral, a produção na China cresceu 9,3% graças à sua crescente classe média e aumento dos níveis de rendimento. O país representa a maior parte do crescimento nas economias em desenvolvimento e emergentes. Noutros locais, a produção do Japão aumentou 2% no trimestre. Da mesma forma, a produção da República da Coreia subiu 3,9%, a da Malásia 4,3% e a de Singapura 2,6%.