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Pandemia acelera moda sem combustíveis fosseis

De acordo com um novo estudo que está a incitar a indústria de moda a tomar medidas face às alterações climáticas como uma parte fundamental na estratégia de recuperação da pandemia, as cadeias de aprovisionamento do sector devem ser menos dependentes do carvão e também de outros combustíveis fosseis.

[©Sourcing Journal]

A cadeia de aprovisionamento da indústria da moda é uma das maiores contribuidoras para o aquecimento global, com emissões de gases de estufa a representarem de 5% a 10% das emissões totais destes gases, o que ultrapassa a percentagem de sectores como a aviação e navegação. A informação divulgada pelo grupo ambiental Stand.Earth no relatório “Fashion forward: A roadmap to fossil-free fashion” prevê ainda um crescimento de 30% nas emissões de gases de estufa até 2030.

Apesar dos executivos da indústria afirmarem que as alterações climáticas são uma problemática primordial, a maior parte das marcas ainda tem de tomar as medidas necessárias para reduzir as respetivas pegadas de carbono e deixar de ter uma cadeia de aprovisionamento dependente de combustíveis fosseis, noticia o just-style.

Com os apelos constantes dos especialistas que alertam para que as emissões globais sejam reduzidas para metade até 2030, juntamente com a abolição do carvão, o estudo salienta que é cada vez mais difícil para as grandes marcas de moda transformarem os compromissos em realidade.

«Mesmo com os compromissos de reduzir as emissões, a cadeia de aprovisionamento da indústria de moda deparou-se com mais carvão sujo, mais tecidos à base de combustíveis fosseis e mais entregas realizadas através de navios transportadores altamente poluentes antes do surto de Covid-19», revela Gary Cook, diretor das campanhas de alterações climáticas na Stand.Earth. «À medida que as marcas procuram recomeçar no pós-pandemia, a indústria tem de implementar esforços coletivos concretos para solucionar a problemática da poluição através da combinação de fábricas em transição para renováveis, eliminando tecidos como o poliéster e de políticas de transporte mais ecológicas», aponta.

Consumo verde

O relatório “Fashion forward: A roadmap to fossil-free fashion” conclui ainda que, como consequência da pandemia, os consumidores estão cada vez mais interessados em consumir menos e valorizam mais as marcas amigas do ambiente e socialmente responsáveis. Segundo a Stand.Earth, implementar medidas credíveis para enfrentar as alterações climáticas deve ser uma prioridade para as marcas de moda a nível global que pretendam restabelecer a ligação com os clientes no pós-pandemia.

[©Time Magazine]
No caso das marcas que queiram transformar-se numa versão melhorada tendo em conta as problemáticas ambientais, o estudo sugere algumas mudanças e recomendações, como a aplicação de energias renováveis na cadeia de aprovisionamento até 2030, de modo a que o carvão não seja mais necessário. No seguimento da análise, esta meta será exequível recorrendo a parcerias com fornecedores para partilha de custos e através da revisão das políticas de transporte, bloqueando novos investimentos em carvão. A utilização de materiais mais ecológicos e duráveis é outra das recomendações, para que os tecidos à base de combustíveis fosseis sejam gradualmente eliminados.

«Ao invés de tentar tornar o modelo de negócio do pré-pandemia mais sustentável, a crise da Covid-19 oferece uma oportunidade crucial para a indústria repensar os principais aspetos na forma como opera», afirma Liz McDowell, diretora de estratégias de campanha da Stand.Earth. «Agora é a altura de as marcas construírem os modelos de negócios e as cadeias de aprovisionamento com base uma diminuição rápida dos combustíveis fosseis para a próxima década. Ao fazê-lo, a indústria de moda pode deixar de ser uma das mais poluentes do mundo e passar a catalisar a descarbonização da economia global», conclui.