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Pandemia desvenda consumo mais digital

O dramático aumento nas compras online acelerou a evolução na forma como os consumidores adquirem produtos, o que, de acordo com um novo estudo, revela uma mudança iminente para o sector de retalho.

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O relatório da O2 Business, realizado em parceria com o Retail Economics, indica que 44% dos consumidores consideram que a pandemia vai ter um impacto permanente no comportamento de compra futuro e que 47% dos inquiridos tencionam aumentar as compras online. Este crescimento surgiu com o aparecimento do vírus, que fez com que mais de um terço (34%) adquirisse bens essenciais e não essenciais de retalhistas digitais.

Como consequência desta evolução no consumo, a pesquisa destaca também a necessidade de os retalhistas fornecerem uma experiência de compra online otimizada para servir os requisitos do novo tipo de consumidor, que é agora mais moderno. Prova disso, é o facto de quase metade dos compradores (49%) passar mais tempo à procura de artigos de comércio eletrónico que no pré-pandemia, uma percentagem que aumenta para 63% e 61% no caso dos consumidores com idades entre os 16 e 24 e os 25 e 34 anos, respetivamente.

Ainda que o online represente somente 20% das vendas globais, quase metade dos consumidores (47%) fica a conhecer as insígnias de retalho através dos canais digitais. Essa mesma dependência pelo retalho online permanece até efetivamente levar o consumidor à compra, o que comprova, segundo o relatório, que o digital veio alterar a finalidade das lojas físicas, que estão a converter-se cada vez mais numa ferramenta de marketing. Na prática, cerca de 24% dos compradores afirmam já terem comprado artigos online mesmo estando na loja física nesse momento e mais de um terço (36,5%) usou o telemóvel para ler avaliações ou verificar o preço estando no espaço físico.

Tendo em conta que os consumidores estão mais conectados e o relatório verificou que 62% consideram esta componente muito ou extremamente importante para o estilo de vida, o mais provável é que exista uma fusão entre os formatos físico e digital do retalho. Neste sentido, a O2 Business e a Retail Economics alertaram os retalhistas para esta realidade, de modo a que consigam entender o que está a impulsionar a mudança de comportamento nos compradores e tirar o melhor proveito de conceitos como a conectividade e a Internet das Coisas.

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«Como parceiro de tecnologia da indústria, quisemos descobrir quais foram as mudanças, na forma como as pessoas se envolveram, durante a última década», afirma Jo Bertram, diretor geral na O2 Business, citado pelo just-style. «Em particular, a forma como os telemóveis, tablets e até mesmo os relógios nos impactaram enquanto consumidores, retalhistas e líderes de negócios. O efeito que o bloqueio tem tido na forma como compramos tem sido significativo, mas acentuou mais estas mudanças do que as direcionou», explica.

Com as alterações nas preferências de compra dos consumidores, são várias as marcas que precisam de reformular as propostas de abordagem ao comprador perante esta nova realidade.

«Já testemunhámos uma mudança significativa para o online e é inevitável que alguns desses comportamentos se tornem permanentes, com o digital a ocupar um papel muito maior. Muitos desses consumidores estão a comprar produtos online pela primeira vez, superando barreiras de confiança a criar contas e métodos de pagamento», aponta Richard Lim, CEO da Retail Economics. «O novo normal envolve uma alteração radical na implementação das tecnologias digitais e os retalhistas estão a avaliar como é que isso vai afetar o número de lojas, investimentos e potenciais parcerias que podem ser formados», conclui.