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Papua, a poliglota

A marca de swimwear nacional Papua nasceu virada para a praia, em 2012, mas não deixa de se inspirar pelas ruas. Apanha banhos de sol com mais de 86 mil seguidores na rede social Facebook e 34 mil no Instagram. É híbrida, vive online e numa morada fixa. Tem um nome caricato, mas de simples leitura e está pronta para a época balnear.

A jovem marca de moda praia surgiu «com a perspetiva de criar um conceito inovador que ligasse um estilo de vida urbano e a vivência da praia» e muitos dos seus modelos podem, inclusivamente, transitar para ambientes como festivais e coordenados mais descontraídos.

O nome partilha o conceito. «Pretendíamos que fosse um nome simples e em coerência com a imagem da marca, fácil de pronunciar em diversas línguas de forma a facilitar a sua divulgação internacional», explica, ao Portugal Têxtil, Nuno Leitão, o diretor-executivo que ao lado de Marta Ribeiro dos Santos deu praia, sol e mar à Papua.

À data, conta Nuno Leitão, «existia um défice de produtos relacionados com a moda praia a nível nacional. Na nossa opinião, até 2012, a generalidade do negócio do swimwear nacional assentava na ideia de confecionadores de linha banho que por acréscimo tinham paralelamente uma marca própria que comercializavam. Não existia um investimento centrado na marca e no conceito da mesma».

Foi precisamente este contexto que motivou o lançamento da Papua. «A nossa preocupação, desde logo, passou por uma apresentação cuidada dos nossos produtos, em termos de fotografia e marketing, coerente com a linha identitária e iconográfica que pretendemos transmitir», recorda o diretor executivo, evidenciado a força que a Papua tem a nível estético, algo que lhe tem garantido uma lista de seguidoras em constante atualização.

A marca de swimwear teve «sucesso imediato», que possibilitou que os seus dois fundadores investissem o seu tempo em exclusivo na empresa em detrimento das suas carreiras na altura, ligadas a outras áreas. «Foi uma aposta ganha», congratula-se Nuno Leitão, que sublinha que o swimwear português «está no seu ponto máximo de notoriedade».

Apesar da intensa atividade online – que inclui publicações que são verdadeiros chamamentos ao verão –, a marca tem também um espaço físico em Lisboa e está disponível «em vários pontos de vendas dentro da Europa, que comercializam os seus produtos». E, estendida num “país à beira-mar plantado”, não é de admirar que o melhor mercado da Papua seja o nacional.

A marca preenche os coordenados veraneantes com cinco coleções de moda praia, mas algumas das peças moram apenas nos guarda-roupas das mais apressadas. «À data já esgotámos 40% dos modelos da coleção, que vamos produzindo adicionalmente para colmatar a procura das nossas clientes», revela Nuno Leitão.

Em 2015 a Papua esteve na crista da onda, num ano marcado pelo «forte investimento na área produtiva». «Dobrámos o valor de faturação em relação ao ano anterior», acrescenta o diretor executivo.

A marca teve um volume de faturação «que conseguiu ser homogéneo ao longo dos meses do ano», o que, para uma marca que intervém num mercado sazonal, «é extremamente positivo». Para isso contribuiu o negócio online, ambiente no qual a Papua aposta «continuamente».

Já 2016 está a ser o melhor ano da marca de swimwear, «o que significa que, em cinco anos de atividade, continuamos em linha crescente de vendas e notoriedade», destaca Nuno Leitão.

Nas ondas da Papua, o investimento «é uma constante». «Mas podemos destacar a recente aquisição de um novo centro produtivo, onde, de momento, produzimos em exclusivo para a nossa marca» e o recrutamento de novos colaboradores «formados em áreas criativas de forma a aumentarmos a oferta de produtos», sendo que atualmente a Papua conta com 10 colaboradores.

Nuno Leitão destaca ainda o facto de todas as operações, «desde a idealização de um artigo até à sua comercialização», serem realizadas internamente. «Tem sido um fator favorável para nós, o que nos permite um desenvolvimento sustentado, equilibrado e com maior controlo», continua sobre a conquista.

Com um leque de preços entre os 80 e os 110 euros e um público-alvo situado entre os 16 e os 40 anos, a Papua está também a desenvolver uma plataforma online «inovadora no mercado nacional», que deverá ficar ativa a partir de setembro – projeto que se junta à sede de internacionalização, «em especial no mercado europeu», confessa o diretor-executivo ao Portugal Têxtil.