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Paquistão com dificuldade no acesso à UE

A União Europeia afirmou a sua posição de excluir o Paquistão do SGP-plus. O SGP-plus faz parte do Sistema Generalizado de Preferências (SGP), sendo introduzido no corrente ano, permite a entrada isenta de tarifas para os países que foram devastados pelo Tsunami Asiático que ocorreu no final de 2004.

O Paquistão pediu à UE a concessão do estatuto de exportação ao abrigo do SGP ou SGP-plus, devido ao seu contínuo esforço na luta contra o terrorismo desde o ataque do dia 9 de Setembro em 2001 em Nova Iorque. Após os ataques terroristas, o Paquistão recebeu o acesso isento de tarifas ao território comunitário para todas as suas exportações de artigos de vestuário e têxteis-lar.

O Paquistão foi “promovido” em 2004 pela Comissão Europeia, perdendo o acesso aos benefícios do SGP. Em resultado desta decisão, as importações passaram a estar sujeitas a uma taxa alfandegária de 12% em 2005. No entanto, de acordo com um comunicado do governo paquistanês, o país deveria estar qualificado no âmbito do SGP a partir de Janeiro de 2006, ao abrigo do qual as taxas alfandegárias sobre os produtos paquistaneses seriam reduzidas.

Para além da exclusão do SGP, as exportações paquistanesas para o mercado comunitário estão a ser prejudicadas pela contínua quebra no valor do euro. Em Janeiro, um euro valia 83 rupias paquistanesas, caindo para as 70 rupias no dia 22 de Novembro. Por outro lado, as trocas em dólares têm permanecido estáveis ao longo de 2005.

Para além destas questões, os exportadores paquistaneses referem ainda que o rápido aumento nos custos de transporte poderá prejudicar a sua capacidade de exportação.

Fomentadas pela eliminação das quotas alfandegárias sobre os artigos têxteis e de vestuário, as exportações com destino aos EUA e à UE permaneceram fortes apesar dos actuais problemas que afectam o sector, com o total das exportações durante 2004/2005 a excederem o crescimento registado no ano fiscal 2003/2004.

Tem-se registado um forte crescimento nas exportações paquistanesas de têxteis-lar, por exemplo, com receitas no valor de 1,2 mil milhões de dólares. A Turquia tem sido um dos principais compradores dos tecidos em cru paquistaneses que os utilizam para o fabrico de têxteis-lar. Durante os meses de Janeiro a Julho, as exportações de fio de algodão registaram um crescimento de 8%. O Paquistão espera também beneficiar sobre os limites norte-americanos aplicados sobre as exportações chinesas.

As exportações de têxteis em termos gerais registaram um crescimento de 13% cifrando-se nos 6,3 mil milhões de dólares durante o período de Janeiro a Setembro, de acordo com os dados apresentados pelos responsáveis paquistaneses. Para este desempenho contribuiu a quebra de 26% registada nos custos de compra do algodão, resultado de uma colheita bastante acima do normal de 14,6 milhões de fardos com 170 kg cada.

Os responsáveis da indústria também apontam como sector forte o caso dos lençóis, referindo um crescimento muito bom com os produtores e os exportadores a trabalharem na capacidade máxima. De acordo com o divulgado pelo Emerging Textiles, diversos empresários de fiação estão a alargar ou a considerar alargar a sua actividade para o sector dos têxteis-lar.

No entanto, os principais produtores paquistaneses de têxteis-lar e de vestuário estão activamente a procurar realizar joint-ventures no Bangladesh. Esta medida surge em resposta ao crescimento dos custos de produção no Paquistão, resultado do maior financiamento à exportação e de aumentos no preço, o que originou a preocupação entre os produtores. Os custos elevados e as falhas nos fornecimentos de bens de primeira necessidade, como a electricidade, gás e água têm resultado em dificuldades adicionais para a indústria.

Para além destas questões, o desenvolvimento de joint-ventures no Bangladesh permitiria às empresas paquistanesas beneficiar do acesso isento de taxas ao mercado comunitário para exportações de têxteis e de vestuário e permitiria também ser uma forma de contornar as taxas anti-dumping aplicadas pela UE sobre os lençóis de cama paquistaneses.

De acordo com o divulgado pelo jornal paquistanês Daily Times, a falta de mão-de-obra qualificada está também a gerar a preocupação entre os industriais paquistaneses. Com o objectivo de eliminar este problema, os produtores têxteis paquistaneses apelaram ao Governo para desenvolver escolas de formação. Diversas áreas nas regiões paquistanesas dedicadas ao têxtil encontram-se repletas de mão-de-obra barata mas pouco qualificada e o potencial dos recursos humanos não tem sido alcançado.

O Governo paquistanês tem ainda sido criticado pela indústria que refere estar a trabalhar com margens negativas. Os elevados custos que forçam diversas empresas a deslocalizarem-se para o Bangladesh necessita de ser resolvido, de acordo com o referido pelos responsáveis industriais.