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Paquistão quer renovar ITV

O Paquistão adoptou uma nova política têxtil com o objectivo de ampliar em 40 por cento as suas exportações, aumentar a sua capacidade competitiva no mercado internacional e responder à crescente procura interna. A nova política têxtil pretende também apoiar a criação de 3,5 milhões de novos postos de trabalho.De acordo com o primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, o têxtil e o vestuário são a "espinha dorsal da indústria" paquistanesa, reafirmando o apoio governamental ao sector privado no esforço de modernização, aumento da produtividade e da competitividade dos seus produtos. De acordo com o responsável governamental, o Paquistão precisa de mais produtos com valor acrescentado, fundamentalmente no vestuário, para aumentar o número de postos de trabalho e fomentar as exportações. Medidas a longo prazoAs novas medidas estão subdivididas em iniciativas orientadas para o curto, o médio e o longo prazo, abrangendo: aumento da produção interna de algodão, aumento da quantidade e variedade de produtos com valor acrescentado, aumento da produtividade dos recursos humanos, aumento da eficiência das unidades de produção, uso alargado de equipamentos importados e fomento da competitividade através de melhores praticas ao nível da gestão e da mão-de-obra. Ao longo dos últimos seis anos, a indústria investiu mais de seis mil milhões de dólares em equipamentos, dos quais mais de quatro mil milhões corresponderam a equipamentos importados.Vão ser instaladas cinco novas empresas de vestuário modelo, vai ser desenvolvido um parque têxtil para servir como zona económica especial para a produção e exportação isenta de taxas e está planeado o desenvolvimento de uma zona destinada a albergar unidades de tecelagem. Para além destas medidas infraestruturais, está ainda planeados a formação do Pakistan Textile Research and Compliance Organisation, a instalação de um laboratório moderno na universidade têxtil de Faisalabad, o fomento da integração vertical e horizontal para equilibrar a cadeia de valor da indústria e a criação de um instituto de formação de vestuário para senhoras.As medidas governamentais serão também direccionadas para eliminar os pontos fracos que prejudicam a capacidade competitiva da indústria têxtil e de vestuário no Paquistão. As desvantagens competitivas estão associadas à falta de mão-de-obra especializada, baixa qualidade dos produtos, insuficiente actividade de investigação e desenvolvimento, excessiva dependência no algodão, e baixa base tecnológica para a indústria.Importância da indústria têxtil e de vestuárioSendo responsável por 66 por cento do total das exportações, de 40 por cento dos postos de trabalho na indústria e representando 8,5 por cento do PIB, a indústria têxtil e de vestuário assume um papel fundamental na sobrevivência do Paquistão. As exportações têxteis e de vestuário aumentaram dos 9,20 mil milhões de dólares em 2005 para os 10,37 mil milhões de dólares em 2006 e estão previstas ultrapassar os 12,7 mil milhões de dólares em 2007.A indústria paquistanesa, que durante anos beneficiou do sistema internacional de quotas com mercados seguros nos Estados Unidos e na União Europeia, tem pedido apoio desde que as quotas foram eliminadas. A indústria refere que enfrenta concorrência feroz da Índia e da China, assim como dos recém chegados Bangladesh, Vietname, Tailândia e Malásia. As dificuldades da indústria paquistanesa surgem da sua atitude passiva face a mercados externos "garantidos", da dependência de subsídios governamentais, de benefícios fiscais e dum mercado interno cativo que pagava preços elevados por produtos de baixa qualidade.O custo interno de produção de uma série de produtos têxteis é relativamente superior ao das importações mais baratas, as quais abrangem uma gama de produtos variada e com qualidade. Esta realidade tem levado um grande número de paquistaneses, principalmente senhoras e crianças, a preferir os produtos fabricados no exterior, independentemente destes serem o resultado de importações legítimas ou de contrabando, sendo os produtos têxteis chineses e indianos os preferidos. Com estas novas medidas, o governo paquistanês espera conseguir alterar esta tendência e fomentar um crescimento superior ao registado em anos recentes.