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Para lá do fim do mundo

Os vestidos cuidadosamente bordados de Fausto Puglisi foram usados por Madonna e estão ao lado das criações dos titãs da moda italiana no museu londrino Victoria & Albert, mas as ambições do criador para a sua jovem marca são tão grandiosas como os seus designs. Fausto Puglisi teve a sua grande oportunidade em 2010, quando a Dolce & Gabbana o convidou a vender as suas criações na sua loja de Milão. No ano passado, Puglisi abriu a sua primeira loja monomarca em Roma, mas o objetivo é distribuir os seus corpetes com pedraria, as suas blusas estampadas e saias vaporosas em todo o mundo. «Eu quero ser enorme. Quero estar em Marte», afirma o criador de 37 anos, conhecido também pelas suas numerosas tatuagens. Nascido na Sicília, Puglisi foi para Nova Iorque aos 18 anos e trabalhou como empregado de mesa antes de conhecer as estilistas Patti Wilson e Arianne Phillips, que apresentaram as suas clientes Whitney Houston e Madonna à coleção cápsula que ele tinha feito em Itália. Quando Madonna escolheu usar Puglisi, o designer conterrâneo, também nascido na Sicília, Domenico Dolce e o seu sócio Stefano Gabbana tomaram nota. «Puglisi é um nome tipicamente siciliano… É como Smith em Londres», reconhece, entre risos, Puglisi. «Domenico Dolce estava sempre a perguntar: quem é este Puglisi?», conta. O ter sido escolhido pela dupla para aparecer numa mostra para novos designers deu a Puglisi os dois pontos essenciais a qualquer negócio da moda: publicidade e investimento. «O melhor deste projeto é que realmente apoia todos os designers com a compra da coleção», explica. «Não é apenas visibilidade, é também dinheiro… para fazer beleza é preciso dinheiro», sublinha. Orgulhoso das suas raízes italianas, Fausto Puglisi – que em fevereiro fez o seu segundo desfile em Milão, depois de se ter estreado na passerelle italiana em 2013 – sustenta que os compradores italianos de moda o apoiaram desde o início. Mas queixa-se da falta de promoção organizada para uma indústria que a Camera Nazionale della Moda Italiana estima que irá representar 65 mil milhões de euros em 2014. «É uma loucura pensar que em Itália ainda não temos um museu da moda. Tivemos de esperar que o Victoria & Albert mostrasse o glamour da moda italiana e aqui, o que fazemos? Nada», desabafa. A procura por fundos levou muitas marcas de moda a venderem quotas a empresas de private equity ou grupos industriais. Entre os outros nomes na exposição “O glamour da moda italiana”, que está no Victoria & Albert Museum desde 5 de abril, Gianfranco Ferré e Valentino foram compradas por investidores do Dubai e do Qatar, respetivamente, enquanto a Gucci e a Fendi são detidas por grupos de luxo franceses, Kering e LVMH, respetivamente. A marca fundada por Gianni Versace, que Puglisi descreve como sendo o seu «maestro», está a negociar a venda de uma quota minoritária. Mas Puglisi não tem para já planos para aceitar investimento externo que o obrigue a deixar o controlo do seu negócio que, estima, poderá ter um lucro de 10 milhões de euros em 2014. «Há muitas pessoas que gostariam de investir e atualmente estou apenas a ouvir. Quero ser independente», reforça. Uma independência que vai além do controlo criativo. «Supervisiono tudo. É muito importante ter uma visão criativa, mas também uma visão empresarial», sustenta. «Sou o primeiro a dizer: o que se passa com as roupas? Qual é o bestseller? O que querem as mulheres?», enumera. Para além da sua marca epónima, Puglisi é diretor criativo da marca francesa Emanuel Ungaro, que se afundou depois da saída do fundador em 2004 e horripilou as fashionistas quando contratou Lindsay Lohan como conselheira criativa em 2010. «A Fausto é a minha filha, mas a Ungaro é um desafio», considera Puglisi, que apresentou a sua primeira coleção para a Ungaro em março do ano passado, depois de ter assinado um acordo de licença com o italiano Aeffe Group como parte de uma tentativa de revitalizar a marca. «Em apenas um ano, a Ungaro está no Harrod’s, no Selfridges, no Barneys, na Saks… as melhores lojas no mundo. Comecei com o Aeffe Group para reconstruir a marca e para mim ainda não é nada, porque quero criar um monstro e é isso que vou fazer», conclui.