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Parceria ibérica em Montalegre

Adelino Almeida, proprietário das empresas têxteis Guieckal e Albor, localizadas em Guimarães, formou uma parceria com um sócio espanhol para a instalação de uma fábrica de confecções em Montalegre, a Almeida & Brandão, envolvendo um investimento de «mais de 200 mil contos».

«A proximidade do mercado espanhol e a disponibilidade de mão-de-obra» foram os factores apresentados por Adelino Almeida ao Jornal Têxtil como decisivos para a localização desta unidade.

Relativamente ao primeiro factor refira-se que numa primeira fase, a unidade de Montalegre, operando em instalações provisórias, orientar-se-á como apoio à Guieckal, trabalhando para diversas marcas estrangeiras, designadamente a Morgan, a Kookai, Sinequanone, Morymor e Corte Inglês, entre outras, mas em 2001 será apresentada a Guieck, uma marca própria de malhas interiores.

Esta marca, destinada á Península Ibérica, está englobada numa estratégia de parceria com a empresa espanhola Creaciones Nicolas «com ideias para a distribuição de ambos os artigos», acrescentou Adelino Almeida, ficando os espanhóis responsáveis pela distribuição do produto português no seu país, e a empresa portuguesa assegurará a difusão da marca espanhola no território nacional.

Acrescente-se que, depois de devidamente familiarizados com o sector da distribuição e apreendido o respectivo «know-how», está previsto apostar no seu presente artigo, as malhas exteriores. «É só uma questão de formar a rede comercial». No que se refere ao segundo factor, a mobilização da mão-de-obra será certamente facilitada numa região caracteristicamente agrícola, não obstante o provável obstáculo dos hábitos desta população.

Neste sentido, para a Almeida & Brandão estão a ser preparados 30 futuros funcionários, «numa primeira fase 15,e depois numa segunda mais 15, por causa do tempo que dura a sua formação» adiantou Adelino Almeida, estando esta formação a cargo do Citex- Centro de Formação Profissional da Industria Têxtil.

Adiante-se que a dependência de terceiros da Guieckal, responsável pelos acabamentos, será fortemente diminuída com a costura das malhas exteriores para senhora, homem e criança realizada em Montalegre. O empresário adianta que «prevêmos atingir a velocidade de cruzeiro em dois ou três anos, dependendo muito dos apoios que tivermos», período no qual deverão alcançar «uma facturação de 400 mil contos».

«França, Alemanha, Espanha, Inglaterra e os países escandinavos» são os países de destino de quase toda a produção de malhas exteriores da Guieckal, tendo exibido no exercício transacto uma facturação de 400 mil contos contra 438 mil em 1998, reflectindo o decréscimo da procura que vitimou o sector. Acrescente-se que este empresário é também protagonista de um investimento num novo edifício, envolvendo cerca de 50 mil contos, que «ficará concluído no final deste mês», estando previsto um armazém no rés-do-chão destinada á Guieckal e «o piso superior ficará para os bordados», com a Albor-Industria de Bordados.

«Vamos começar a exportar pois vamos aumentar a facturação em dois anos. O ideal seria que fosse em 200 mil contos» acrescenta Adelino Almeida. A empresa encerrou o ano transacto «com vendas na ordem dos 70 mil contos».