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Parcerias abrem novos horizontes na UBI

Em colaboração com diferentes universidades, o Doutoramento em Materiais e Processamento Avançados da Universidade da Beira Interior está a abrir novas portas para os têxteis técnicos.

Isabel Gouveia

Têxteis inteligentes, antimicrobianos e para aplicação médica são algumas das áreas fortes que os doutorandos em materiais e processamento avançados têm explorado nas já cinco edições deste programa de doutoramento da Universidade da Beira Interior (ver «Tudo o que fazemos é a pensar nas empresas»). «Existe a integração de várias áreas científicas. Temos alunos de biotecnologia, já tivemos de bioquímica, biomedicina e ciências biomédicas que, de alguma maneira, têm uma formação de base que pode ser complementada ao nível dos têxteis mais avançados», explica Isabel Gouveia, diretora do Doutoramento em Materiais e Processamento Avançados, que afirma que «é importante esta captação de alunos de várias formações porque a ciência e a investigação nestas áreas requer essas sinergias».

As sinergias estendem-se ao próprio programa de doutoramento, que é feito em parceria com as Universidades de Aveiro, Coimbra, Lisboa, Minho e Porto. «Há um cruzar de saberes com os melhores que temos ao nível nacional e internacional. É uma abertura desejável em ciência», assegura Isabel Gouveia, que destaca ainda que «tem também uma outra especificidade: cada doutorando tem forçosamente dois orientadores de diferentes instituições».

Atualmente com 13 alunos só na Universidade da Beira Interior – no total são 25, que preenchem o número total de vagas por edição, distribuídos pelas diferentes instituições –, o Doutoramento em Materiais e Processamento Avançados direciona-se ainda para a investigação aplicada, levando a que os alunos estejam envolvidos na indústria. «É com muito agrado que vejo esse reconhecimento por parte das empresas», confessa a diretora ao Jornal Têxtil.

As áreas em foco

Para Isabel Gouveia, o desenvolvimento de novos antimicrobianos e o de materiais mais sustentáveis, indo ao encontro do conceito de economia circular, são duas áreas de investigação a privilegiar e alguns dos projetos de doutoramento em curso caminham nesse sentido. Cláudia Mouro, com formação em biotecnologia, encontra-se desde 2015 a trabalhar na utilização de extratos de plantas medicinais para desenvolver pensos, para feridas, com propriedades microbianas através de eletrofiação. «Não utilizo o electrospinning tradicional, mas sim o electrospinning de emulsão. A diferença é que em vez de utilizar uma mistura polimérica, parto de uma emulsão, água em óleo ou óleo em água, dependendo do composto que pretenda incorporar e, consequentemente, libertar», revela. O objetivo último é criar uma alternativa aos atuais pensos, capaz de «prevenir a infeção de feridas e permitir que a cicatrização ocorra num curto espaço de tempo», acrescenta.

Cláudia Mouro, Lúcia Amorim, Isabel Gouveia e Felipe Giacomelli

O doutoramento de Lúcia Amorim, com formação em ciências biomédicas, está a explorar a utilização de bactérias na produção de biopolímeros e de pigmentos que vão dar cor a esses biopolímeros. Mas a investigação está apenas no início. «Ainda não definimos uma aplicação final», refere a doutoranda. «Para além dos próprios biopolímeros terem outras propriedades que podemos tentar utilizar quando estamos a produzir as nanofibras, também os próprios corantes produzidos por bactérias têm propriedades antimicrobianas. Ou seja, podemos num só passo tingir um têxtil com propriedade antimicrobianas e eliminar os passos de acabamentos necessários atualmente», adianta.

Felipe Giacomelli encontra-se igualmente a trabalhar nesta área dos pigmentos microbianos, para aplicação em embalagens de alimentos. «A minha primeira ideia era chegar a um pigmento puro e que não afetasse nada diretamente no alimento», indica o doutorando, formado no Brasil em tecnologia e alimentos e com um mestrado da UBI em biotecnologia. «Chegar a esse ponto do pigmento microbiano ser seguro o suficiente para utilizar em alimentos, seria já um futuro para a investigação, juntando a biotecnologia com a área de alimentos», aponta.