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Paris é sempre Paris

Apesar da ligeira diminuição do número de compradores, a Première Vision Paris foi o palco privilegiado de apresentação das novas coleções e concretização de contactos de negócio, incluindo para os 66 expositores nacionais.

Entre 12 a 14 de fevereiro, passaram por Villepinte 53.156 visitantes de 127 países, o que representa uma queda de 2,3% em comparação com a mesma edição do ano passado, que a organização atribuiu ao receio do mercado face à indefinição da saída do Reino Unido da União Europeia. «As marcas e compradores de moda britânicos estão a jogar pelo seguro à medida que se aproxima o Brexit, solidificando receios e abrandando a tomada de decisões», apontou.

Gilles Lasbordes

Do lado dos expositores, contudo, a Première Vision Paris cresceu, com um total de 1.782 empresas presentes. «É um crescimento de 3,3%», afirmou, ao Portugal Têxtil, Gilles Lasbordes, diretor do certame, sublinhando que «é bom ter este crescimento regular».

Dividida nas suas diferentes áreas, dos fios à confeção, a Première Vision Paris continua a ser a referência internacional para as empresas portuguesas, que estiveram em força no certame.

Jaime Azevedo

«A Première Vision é um ponto de encontro para a comunicação com os diversos países da Europa», garantiu Jaime Azevedo, CEO da Trifitrofa, que esteve na área dedicada aos fios juntamente com sete outros compatriotas. «É uma forma de estarmos com os nossos clientes habituais», acrescentou Jorge Pereira, CEO da Lipaco.

Novidades lusas

A feira é também o local de eleição para apresentar novidades, nesta edição pautadas, em grande parte, pela sustentabilidade.

Jorge Pereira

A A.Sampaio & Filhos levou malhas com algodão orgânico, poliéster reciclado e cânhamo, a Tintex revelou a gama de malhas sob a marca Blue Lab, concretizada sob a iniciativa com a ONG alemã Drip by Drip, e a Vilartex apostou na variedade, incluindo novas misturas com urtiga e kapoc e acabamentos inovadores. «Estamos a promover o Denim, o Ice Wool e o Ice Cotton», enumerou Carlos Coutinho, diretor de exportação da Vilartex. O primeiro é um acabamento que confere às malhas um aspeto semelhante ao denim tradicional. «O Ice Wool é uma lã que estamos a lançar com um efeito de acabamento mais fresco, para ser utilizada nos períodos de verão. O Ice Cotton são estruturas que pretendemos que sejam frescas para serem usadas também nas coleções de verão», esclareceu.

Carlos Coutinho

Na RDD, a coleção para a primavera-verão 2020 foi composta com fibras de algodão, linho e lã, assim como poliamida e poliéster reciclados e liocel. «Destacámos também os efeitos visuais que valorizamos para esta estação, designadamente tudo o que é enrugado e plissado, mas também algumas estruturas delicadas, mas orgânicas», desvendou Dolores Gouveia, diretora de marketing e desenvolvimento de produto na empresa. «Esta feira funciona quase como uma continuidade do trabalho que temos no dia a dia. Temos reuniões com clientes, quase tudo está programado. Por isso, não notamos muito a variação de visitantes», constatou Elsa Parente, diretora-geral da RDD.

Manufacturing traz contactos

«Usamos a Première Vision para contactar os clientes que já temos – é o local ideal para estar com todos num único local», reconheceu Marco Araújo, administrador da Calvelex. «Mas vimos aqui sobretudo para conhecer novas pessoas, novas oportunidades, dar-nos a conhecer», elucidou. A empresa foi uma das 15 expositoras portuguesas presentes na área da confeção, que nesta edição, pela primeira vez, foi dividida em quatro universos: Première Vision Manufacturing – Proximity, para sourcing de proximidade; Première Vision Manufacturing – Overseas, dedicado ao aprovisionamento da região da Ásia-Pacífico; Première Vision Manufacturing Knitwear, dedicado ao vestuário em malha fully fashion; e Première Vision Manufacturing – Leather, para os especialistas em confeção em pele.

Dolores Gouveia, Francisco Rosas e Elsa Parente

«Paris é sempre uma feira em que temos muitos visitantes. É uma feira interessante para nós porque não recebemos só clientes franceses – recebe também clientes belgas e, este ano, até um dos EUA, que espero que chegue uma boa nota de encomenda. Acho que a variedade e qualidade dos clientes em Paris é cada vez melhor», realçou Ana Lisa Sousa, sócia-gerente da António Manuel de Sousa.

Além das novas coleções, a Premiére Vision Paris contou com um eventos e mostras paralelas, nomeadamente a terceira edição do Wearable Lab, onde estiveram expostos materiais inovadores, tecnologias embebidas em têxteis e o trabalho de start-ups, num projeto que tem como objetivo «apoiar os compradores que querem trazer tecnologia para as suas coleções e não sabem como nem com quem trabalhar», explicou Gilles Lasbordes ao Portugal Têxtil.

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