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Passos verdes no calçado

As marcas internacionais de calçado parecem empenhadas em ser mais sustentáveis e reduzir a sua pegada ambiental. Ugg, Keen, Levi Strauss e Puma estão a lançar novas soluções, quer biodegradáveis, quer com materiais reciclados ou com a introdução de resíduos agrícolas.

Ugg [©Ugg]

A Ugg está a usar lã recuperada e desperdícios de plástico na Ugg Icon-Impact, uma coleção que faz parte da plataforma Feel Good que a marca americana criou no ano passado para contextualizar os seus objetivos de sustentabilidade e ajudar os consumidores a responsabilizarem-na pelas suas opções.

A Icon-Impact incorpora também cana de açúcar renovável na sola e PET reciclado, tendo, segundo a empresa, evitado que mais de 350 mil garrafas de plástico fossem parar a aterros, o equivalente a duas a três garrafas por cada par.

Já a Keen desenvolveu uma tecnologia que funde solas fabricadas a partir de plantas com partes de cima produzidas com resíduos agrícolas para reduzir a pegada de carbono dos seus ténis.

Keen Elsa V [©Keen]
Batizada Field to Foot (F2F), esta tecnologia permitiu os primeiros ténis sem solventes químicos no mercado em setembro último, com uma versão para homem (Eldon) e outra para senhora (Elsa V). «Com a tecnologia F2F, a Keen é capaz de fornecer soluções mensuráveis para construir calçado que é menos prejudicial para o ambiente», garante Steve Workman, diretor sénior de inovações de produto da empresa. «A F2F, ao usar tecnologias avançadas sustentáveis de poliuretano, é o lançamento tecnológico ambiental mais significativo na história da Keen», sublinha.

Steve Burge, um especialista britânico em poliuretano, que trabalhou com a Keen para desenvolver a tecnologia, acrescenta que «a utilização de resíduos agrícolas no poliuretano é um passo importante para transformar a cadeia de aprovisionamento da indústria de calçado. Não só a tecnologia F2F usa resíduos da indústria agrícola, como reduz a utilização de petroquímicos, ao mesmo tempo que elimina a utilização de solventes químicos. A sola exterior destes ténis é 51% resíduos agrícolas. E este é apenas um primeiro passo».

Matérias-primas naturais dão cartas

Levi’s [©The Woolmark Company]
A Levi Strauss, por seu lado, está a lançar uma bota sustentável com lã merino que foi produzida em colaboração com a The Woolmark Company. A parte de cima da bota é feita em couro com a certificação Ouro do Leather Working Group, a palmilha é fabricada com cordura ecológica e um efeito acolchoado criado a partir de resíduos, sendo ainda resistente ao rasgo, enquanto a sola antiderrapante tem 20% de conteúdo reciclado e os cordões são 100% reciclados.

«A inclusão de lã merino na bota da Levi’s não só destaca a versatilidade da fibra de performance original, como também mostra a natureza sustentável da fibra, perseguindo a missão da empresa de informar e promover a lã como uma fibra originalmente ecológica e reciclável», considera John Roberts, CEO da Australian Wool Innovation, que detém a The Woolmark Company.

Por último, a Puma desenvolveu uma versão experimental das sapatilhas Suede para as tornar biodegradáveis. O objetivo, refere a marca alemã, é responder à crescente procura por produtos sustentáveis. A Re:Suede será produzida a partir de materiais mais sustentáveis, como a camurça Zeology, que é obtida através de um processo de curtume mais sustentável e assegura um melhor conforto ao utilizador em comparação com outras matérias-primas biodegradáveis.

Puma [©Puma]
O novo modelo será testado a partir de janeiro de 2022 junto de 500 voluntários selecionados na Alemanha, que irão usar as sapatilhas durante seis meses para perceber a durabilidade do produto biodegradável numa utilização quotidiana, e depois as mesmas serão submetidos a um processo de biodegradação industrial num ambiente controlado, dando, assim, seguimento à investigação da Puma.

«Em 2012, a nossa ambição circular foi ousada, mas a tecnologia ainda não estava no ponto. Como se diz, por cada desafio há uma oportunidade – e continuamos a procurar fazer melhor ao aplicar as nossas forças, mas também a reconhecer e a melhorar as nossas fraquezas», afirma Heiko Desens, diretor criativo da Puma. «Esperamos que o progresso feito durante a experiência Re:Suede “no time for waste” nos ajude a continuar a subir o nível dos testes de circularidade – permitindo aos nossos consumidores fazer melhores escolhas de moda no futuro, para que as suas sapatilhas possam ir “da camurça ao solo” sem comprometer o estilo do artigo ou a durabilidade no tempo que as têm», resume.