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Patentes no caminho da AUP

A empresa portuguesa de tecnologia, especializada na automação de unidades de produção, está a fazer 20 anos e, em jeito de celebração, acaba de efetuar o seu primeiro pedido de patente. Empenhada na inovação, onde se encontra a colaborar com a Universidade do Minho, a AUP tem como meta ter mais duas patentes em breve.

José Silva, Luís Faria e João Humberto

O primeiro pedido de patente foi submetido no início de maio e diz respeito a uma tecnologia que deteta falhas na produção. «Trata-se de uma solução que vai garantir que os airbags dos bancos laterais abrem conforme é suposto. É uma maneira de controlar automaticamente o trabalho que uma operadora faz numa máquina manual de forma a evitar ou a detetar falhas», explica Luís Faria, fundador e CEO da AUP. O sistema, acrescenta, «controla não só este parâmetro como 10 ou 12 parâmetros diferentes relacionados com este tipo de estofo de carro com airbag lateral».

Este deverá ser, contudo, apenas o primeiro pedido de patente da empresa, que tem feito «um investimento muito forte em investigação e desenvolvimento», garante Luís Faria. «Temos em curso um projeto de investigação onde nos propusemos registar três patentes. Temos já um pré-registo feito, temos uma segunda patente que será pedida até ao fim do ano e outra logo a seguir. Está tudo a correr bem, conforme o previsto», revela ao Portugal Têxtil. No total, o projeto, que termina no final de 2020, tem um orçamento de 200 mil euros, apoiado pelo Portugal 2020, e está a ser concretizado em parceria com a TecMinho e um investigador da Universidade do Minho.

Embora sem uma estrutura formal de I&D, Luís Faria afirma que na AUP, onde trabalham 11 pessoas, a inovação está sempre na ordem do dia. «Acabamos por investigar muita coisa. Não lhe chamamos de investigação mas o nosso trabalho é encontrar soluções quando o cliente precisa», afirma o CEO. «Não temos propriamente trabalhos de produção em série, dificilmente vendemos duas máquinas iguais. Estamos sempre a desenvolver código de software e hardware», destaca.

Presença em Marrocos

Nos últimos anos, a AUP apostou na internacionalização do negócio e, atualmente, realiza 90% da sua faturação no estrangeiro. «Os principais mercados são Marrocos Tunísia e Roménia», enumera o CEO, sobretudo para a indústria automóvel. «Temos também clientes nacionais da cortiça, o Grupo Amorim», adianta.

O investimento nos mercados externos fez-se também através da criação de uma empresa em Marrocos. «Foi um investimento de 200 mil euros que efetuámos em dezembro passado», indica Luís Faria. «Apesar de fazermos o suporte técnico através da Internet, acho que o ideal é mesmo uma assistência mais rápida e presencial. Como temos muitos clientes, e grandes, em Marrocos, justificava-se a presença local», justifica.

A presença no Norte de África integra-se ainda na atual estratégia da empresa de consolidação e diversificação. «Estamos muito focados na indústria automóvel. Queremos diversificar, esse é o principal objetivo», aponta Luís Faria. «Temos a capacidade de detetar problemas e de equipar máquinas de qualquer área. Pode ser na área de produção em série, pode ser na indústria aeroespacial, pode ser qualquer área, qualquer processo de fabrico ou mesmo serviços – nós conseguimos encontrar uma solução. E estamos a apostar também na parte da monitorização da produção, recolha de dados e indústria 4.0», sublinha.

Com cada vez mais empresas a procurarem sistemas anti-erro, de forma a reduzir as perdas por rejeições, e no seguimento do que aconteceu no ano passado, com um aumento de 40% no volume de negócios, as expectativas para 2019 são de um forte crescimento. «De acordo com a nossa projeção, vamos aumentar a faturação em 30%. Contamos exceder o milhão de euros este ano», conclui o CEO da AUP.