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Paula Borges explora comércio eletrónico

A produtora de vestuário lançou a marca Everlasting só para o canal online e prepara-se para avançar com as vendas digitais da marca epónima em plataformas terceiras. Pelo caminho continua a ganhar a preferência dos grandes nomes internacionais, da Hermès à Balenciaga, para a produção em private label.

A Everlasting chegou ao comércio eletrónico no ano passado e «tem corrido muito bem», garante Paulo Faria, diretor comercial da Paula Borges. O negócio tem avançado a um ritmo próprio, até porque a equipa é ainda pequena para responder com intensidade a todas as necessidades. «Criamos os conteúdos, colocamos na Internet e deixamos as coisas rolar», explica o diretor comercial ao Portugal Têxtil.

As peças da Everlasting seguem os padrões de qualidade da produtora de vestuário, incidindo em matérias-primas nobres, como a seda, e pormenores cuidados, como flores cosidas manualmente. «Tem havido procura», afirma Paulo Faria, que adianta ainda que a marca poderá crescer com outras plataformas, como a Springkode.

A empresa está ainda a analisar a entrada da histórica marca Paula Borges no universo online, mas apenas com plataformas terceiras, como a Springkode e a Farfetch. «Há já alguns contactos, mas ainda estamos a trabalhar nisso», admite.

Atualmente, a marca Paula Borges representa 20% das vendas da especialista em confeção, mas o objetivo é chegar «aos 35% ou 40% em três ou quatro anos», indica o diretor comercial. Para já, a marca tem um mercado forte em Inglaterra. «É o nosso melhor mercado. Inglaterra só quer produto de gama média-alta e coisas bem feitas», assegura.

Grande qualidade, pequenas quantidades

O know-how é uma das mais-valias da Paula Borges, que com isso tem conquistado o seu espaço junto de marcas e designers reputados. Paco Rabanne, Nina Ricci, Isabel Marant, Hermès, Balenciaga, L.K.Bennett, Mulberry, Simone Rocha e Victoria Beckham são apenas alguns dos nomes que constituem o portefólio de clientes da empresa. «Os melhores estão todos na nossa casa», sublinha Paulo Faria.

O segredo, além da qualidade, é a capacidade para produzir pequenas quantidades. «Temos duas células internamente para produzir quantidades mais pequenas, abaixo das 100 unidades. Isso poucas empresas fazem em Portugal e é um grande sucesso nosso, porque muitas microempresas procuram-nos para esse tipo de produto de valor acrescentado», assevera o diretor comercial, que reconhece ter um particular gosto por este tipo de projeto. «Dá-nos muitas dores de cabeça, mas gostamos porque ajudamos outro segmento de mercado. E está a correr muito bem. Estamos a ter muito sucesso com esse tipo de pequenas séries – os clientes estão contentes e voltam», refere.

Para aumentar a rapidez da resposta, a Paula Borges, que tem duas unidades, uma na Maia e outra em Baião, com 70 e 30 pessoas, respetivamente, está a realizar novos investimentos. No ano passado comprou máquinas novas no valor de 130 mil euros e, até agosto, pretende remodelar a área de modelação, incluindo, possivelmente, a aquisição de uma terceira máquina de corte e a atualização do software. «É para poder responder mais rápido e melhor e tentar absorver mais clientes – dando mais resposta, conseguimos adquirir mais quota de mercado», justifica Paulo Faria.

Crescer a dois dígitos

Em 2018, «apesar de não ter sido um ano fácil», a Paula Borges registou um crescimento de 10% no volume de negócios, que atingiu os 2,5 milhões de euros. A maior parte das vendas foi efetuada nos mercados externos, já que a empresa exporta atualmente 90% da sua produção, em especial para o Reino Unido (70%), mas também para França e países do Norte da Europa. «A Holanda e a Dinamarca são países que estiveram um bocadinho adormecidos e estão a voltar em força. O mercado belga também, mas com estilistas, não com empresas», enumera Paulo Faria.

Para 2019, a prioridade será dada aos mercados nórdicos, nomeadamente Suécia, Dinamarca e Holanda, tanto com a marca Paula Borges como no private label. Em cima da mesa está a possibilidade de retomar a presença em feiras profissionais. «Estamos a pensar fazer uma feira em Copenhaga, em agosto. Ainda não decidimos se vamos já participar ou se primeiro vamos visitar e só depois optar por participar», conta o diretor comercial, que tem igualmente planos para os EUA com a marca epónima. «Queria voltar a esse mercado, mas não da forma que fizemos no passado – queremos explorar o mercado de forma mais localizada, por estados», esclarece.

Estratégias que deverão permitir à Paula Borges continuar na senda do crescimento. «O ano prevê-se muitíssimo bom. Se as coisas continuarem como estão, chegaremos a um crescimento de 15%», antecipa o diretor comercial.