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Paula Borges relança marcas próprias

Numa fase de reorganização interna, e de alguns investimentos em recursos técnicos e humanos, a produtora de vestuário tenciona relançar as marcas próprias Paula Borges e Everlasting já em 2023.

Paulo Faria

«Já estamos em andamento com essa retoma», garante Paulo Faria. As marcas Paula Borges e Everlasting, uma linha mais jovem «que foi interrompida por força da pandemia», vão voltar ao mercado em 2023. «Estamos já a criar um departamento específico interno só para o desenvolvimento das duas marcas», revela ao Portugal Têxtil.

Ainda com a estratégia a ser delineada, os mercados que acolherão as marcas da produtora de vestuário serão, a partida, os mesmos onde tiveram presença no passado, como Espanha, Alemanha, Áustria, Finlândia, Inglaterra, os países nórdicos e os EUA. «Estamos novamente a tentar uma parceria com o mercado americano, já estamos em conversações, mas tudo em 2023. Este 2022 é para reorganizarmos os ficheiros, como se costuma dizer», esclarece o diretor comercial.

Também no private label, a Paula Borges sentiu um regresso do número de clientes americanos, provavelmente devido «ao término da pandemia» e à «vontade expressa pela produção na Europa, sobretudo produções elaboradas e sofisticadas». Neste sentido, a empresa teve necessidade realizar investimentos «numa máquina de corte automático» e em «novos softwares».

«Estamos a meter mais pessoas, por incrível que pareça, em todos os departamentos, amostras, acabamento, confeção, e queríamos mais. A nossa maior angústia, neste momento, é a falta de mão-de-obra», aponta Paulo Faria, que, na tentativa de captar novos recursos humanos, estabeleceu uma parceria com a Modatex.

Mas nem só de novos clientes americanos vive a Paula Borges que sentiu, de igual forma, uma explosão vinda do mercado holandês. «Estava completamente estagnado. Como temos optado por fazer peças mais difíceis e meticulosas, cada vez mais sentimos uma procura de novos parceiros, que têm dificuldade em encontrar na Europa fornecedores que correspondam aos seus desejos. Para nós é um orgulho muito grande, mas é também uma responsabilidade enorme. Temos conseguido fazer coisas extraordinárias», destaca.

2022: ano de crescimento

Com uma faturação de 2,6 milhões de euros em 2021, e um efetivo de 100 pessoas, Paulo Faria gostaria de atingir os 3,5 milhões de euros no corrente exercício.  O ano de «2019 foi ligeiramente superior. 2020 é para esquecer, mesmo assim conseguimos manter as duas unidades a funcionar, nunca fechámos, nunca fizemos layoff, arregaçámos as mangas e não baixámos os braços. Saí, fui à procura e os clientes também não nos “abandonaram”. 2020 foi um ano zero, 2021 chamo-lhe de um ano de transição e 2022 está a começar a ser muito interessante, portanto esperamos crescer este ano, definitivamente», afirma o diretor comercial.

Para cumprir esta meta, a Paula Borges planeia participar em duas ou três feiras este ano, uma na Alemanha, ou no mercado escandinavo, e outra no principal mercado da empresa, a Inglaterra. «Vamos também fazer uma reorganização nessa área, porque honestamente também não temos muito tempo para isso. Eu costumo dizer isto e as pessoas ficam admiradas. Mas é verdade, temos mesmo falta de tempo para nos organizarmos e podermos estar nas feiras. Para o ano, aí sim, vamos tentar sair outra vez e procurar outro tipo de clientes», explica Paulo Faria.