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Paulo de Oliveira aposta nas malhas

Mantendo-se fiel à sua identidade, a Paulo de Oliveira está a lançar uma nova área de negócio dedicada às malhas, procurando responder às mudanças do mercado em direção ao conforto e às necessidades dos clientes.

Paulo Augusto Oliveira

As malhas surgem como uma expansão da oferta da Paulo de Oliveira e mantêm o foco na lã. «A malha é um produto que casa bem com muitos dos nossos clientes e com aquilo que é a Paulo de Oliveira. A Paulo de Oliveira é, acima de tudo, conforto. Fazemos, sobretudo, tecidos elásticos e a malha é um complemento perfeito para aquilo que é a nossa estratégia da funcionalidade do produto», explica, ao Jornal Têxtil, o CEO Paulo Augusto Oliveira.

A entrada neste segmento «já estava a ser estudada há algum tempo, porque percebemos que a Paulo de Oliveira poderia fazer um complemento à sua linha de produtos, por isso, porque não ter malhas Paulo de Oliveira quando temos fiação e temos acabamentos e isso pode diferenciar o produto», revela Rita Ribeiro, diretora do negócio da área de malhas da produtora de lanifícios. «Não é para competir com o mundo algodoeiro, de todo, mas é um complemento, que acaba por ser uma nova área de negócio, às lãs que são normalmente conhecidas em tecido», acrescenta.

O processo de tricotagem e efetuado por sete parceiros no Norte de Portugal, «que têm sido incansáveis», salienta Rita Ribeiro, mas a maior parte dos fios e os acabamentos são realizados nas instalações da empresa na Covilhã. «A Paulo de Oliveira é uma empresa vertical com um know-how único na área de fiação laneira e com uma fábrica de acabamentos muito particular que pode perfeitamente, e está a ser muito bem explorada, para a área das malhas. Não se esperava que esta fábrica de acabamentos fosse fazer as malhas que está a fazer. É um produto completamente diferenciado, conseguimos ter toques únicos, conseguimos ter acabamentos completamente diferentes do que é o normal, na área, em Portugal», destaca a diretora do negócio da área de malhas.

Rita Ribeiro

Segunda coleção a caminho

A primeira coleção, que foi feita em apenas três meses e lançada na Première Vision Paris, está dividida em quatro histórias: a primeira segue a tradição da Paulo de Oliveira e apresenta malhas para fatos e blazers em misturas de lã, poliéster e elastano; a segunda oferece artigos pensados para uma linha mais casual; a terceira direção está mais voltada para a funcionalidade e a performance; e a última absorve o conceito Green, já vincado na produtora de lanifícios, com artigos sustentáveis 100% lã.

«O objetivo é abraçar os clientes Paulo de Oliveira com malhas. Não é ir buscar novos clientes, não é mudar radicalmente a estratégia de negócio. É dar mais uma resposta aos clientes da Paulo de Oliveira, mais uma solução para as vendas deles. No fundo, é ajudar os clientes a potenciar negócios. Principalmente depois da pandemia, o conforto é a palavra-chave. Mas agora já não é o conforto do leisurewear, é um conforto de sofisticação, de luxo», assegura Rita Ribeiro, que admite que o primeiro feedback tem sido positivo. «Os clientes foram surpreendidos por este negócio. A recetividade ao produto está a ser muito interessante», reconhece.

A segunda coleção, que será para a primavera-verão, está já a ser pensada. «Vamos ter linhos. A Paulo de Oliveira trabalha muitos linhos e nas malhas também vamos ter linho. Vamos trabalhar produtos diferentes», garante a diretora do negócio da área de malhas. «Queríamos ter uma linha de linho/elastano, que é uma coisa que não é muito normal e que, para calças, poderá ser um produto diferenciador. Também estamos com algumas parcerias, que ainda não posso partilhar, para produtos com performance com algumas tecnologias, principalmente, na área da poliamida», desvenda. «Queremos crescer de forma sustentada e que permita aos nossos clientes crescer com o nosso produto. Aliás, o nosso grande objetivo é os clientes crescerem, por isso, isto tudo está alinhado. Não podemos é nunca esquecer que isto é um caminho, não se faz em one shot e está feito. Esta é uma primeira etapa e há muitas ainda que temos para percorrer», considera Rita Ribeiro.