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Paulo de Oliveira domina mercado

Consolidada no mercado internacional, com mais de 40 anos de exportação, a especialista em tecidos laneiros tem apostado na inovação no produto e na sustentabilidade para conquistar e fidelizar clientes.

Luís Oliveira

«Portugal é um país em que se pode confiar, com o qual se pode trabalhar e é tecnologicamente evoluído, com preocupações muito importantes ao nível da sustentabilidade, do que o mercado quer, da digitalização, do que é o futuro do mercado têxtil», afirma Luís Oliveira, administrador da Paulo de Oliveira. Foi nesse espírito que a empresa assumiu a missão em Paris de exemplificar o que de melhor se faz na indústria nacional de moda. «Uma coisa é estarmos nas feiras – como estamos em todo o lado – e outra coisa é as pessoas perceberem um bocadinho que a indústria têxtil não é só isso e que, por detrás das nossas coleções, está uma infraestrutura bastante alargada e tecnologia», explica ao Jornal Têxtil.

Fundada em 1936, a Paulo de Oliveira «é já conhecida internacionalmente, exportamos para todo o mundo», garante o administrador, que aponta como mais-valias «estar sempre a par da moda. Somos uma empresa que procura estar sempre a par do cliente, sempre a inovar no produto e virada para a sustentabilidade – somos, talvez, uma das empresas com maiores índices de sustentabilidade da indústria têxtil».

Sustentabilidade em foco

Recentemente, a produtora de lanifícios lançou a linha sustentável Oliveira Green que tem registado «uma procura muito grande», assume Luís Oliveira. «Criámos essa linha com produtos reciclados mas a lã, por si, é já uma matéria amiga do ambiente, biodegradável e sustentável – logo aí temos uma vantagem muito grande», destaca.

A procura concentra-se, essencialmente, no mercado europeu. «Temos grandes clientes que exigem já um certo nível de sustentabilidade», assegura Luís Oliveira, que destaca, contudo, a existência de algumas limitações à utilização de matérias-primas recicladas, nomeadamente ao nível da qualidade. «Há certas dificuldades, às vezes, em ter tudo sustentável, porque o produto pode não ser o mesmo, a qualidade não é necessariamente a mesma, mas o caminho é esse. É criarmos produtos a partir de materiais que possam ser reciclados. Há limites para tudo, como é óbvio, mas estamos na vanguarda e temos que estar na vanguarda dessa ideia», reconhece. «Estou convencido que a tecnologia vai evoluir», acrescenta e, como tal, «quem estiver mais preparado para a usar, quem já estiver habituado a estas coisas, está mais apto a usá-las no futuro. A tecnologia é que nos vai comandar», acredita.

A área da sustentabilidade é, de resto, uma «convicção» na Paulo de Oliveira, que tem realizado investimentos também ao nível das energias renováveis. Atualmente, 35% da energia elétrica que consome é produzida pelos painéis fotovoltaicos que tem vindo a instalar desde 2014 e que, neste momento, representam uma capacidade instalada de 2,4 MW. «Não é mais porque, por lei, há um limite e não podemos ir além desse limite, que é a potência contratada. Mas como somos uma empresa que trabalha três turnos, cinco dias por semana e alguns dias de fim de semana, em algumas áreas, como é óbvio não há sol durante todo o dia, portanto neste momento consideramos que temos cerca de 35% da nossa energia elétrica produzida por painéis fotovoltaicos», indica. O administrador da Paulo de Oliveira considera, de resto, que «já que queremos que o país seja autossustentável em termos de energia, devia ser permitido que empresas como a nossa, que tem capacidade financeira para o fazer, pudessem optar por investir mais na energia solar tendo como contrapartida ter algum benefício na compra da energia – permitir trocar a energia que nós produzimos pela energia que necessitamos à noite, tendo excesso de capacidade. Gostaria imenso de ter toda a nossa empresa durante todo o dia solar a funcionar plenamente a energia fotovoltaica, mas de momento não é possível porque a legislação não me permite».

Confiança para 2019

Apesar de 2019 ter começado de forma menos positiva, sobretudo porque «a moda está mais informal e o nosso produto é mais formal», os primeiros nove meses do ano foram, no conjunto, positivos para a Paulo de Oliveira. «Com a introdução de novos produtos que fomos fazendo, com a nossa adaptação, as coisas têm corrido relativamente bem», avança. Luís Oliveira está confiante que este será «um ano de estabilização» para a empresa, que em 2018 registou um volume de negócios à volta dos 80 milhões de euros.