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Paulo de Oliveira pinta-se de verde

Oliveira Green é o nome da nova gama de tecidos da Paulo de Oliveira, que reforça o lado “verde” da empresa, tanto nos produtos como nos processos. Uma marca que vem complementar a oferta, que tem ainda um lado “cor de rosa” e outro mais sportswear.

Paulo Augusto Oliveira

A Oliveira Green foi lançada oficialmente na Milano Unica, em julho, e é a face mais visível de uma política de sustentabilidade que tem sido implementada nos últimos anos pela Paulo de Oliveira. «Neste momento temos, em horário solar, praticamente a produção toda com energia solar», sublinha o administrador Paulo Augusto Oliveira. No total, a empresa tem instalados 10.552 painéis fotovoltaicos, a que se soma a reutilização de 50% da água e a utilização de uma das matérias-primas mais ecológica – a lã – que, segundo afirma a produtora de lanifícios no seu “manifesto”, apresentado em Itália, é «natural, renovável, reciclável e facilmente biodegradável». «A Oliveira Green é uma sequência lógica do que temos feito em termos de sustentabilidade dos processos produtivos e também uma resposta ao mercado, pois temos clientes que só querem produtos sustentáveis», explica ao Jornal Têxtil.

A Oliveira Green, que além de lã aposta no poliéster reciclado, vem complementar a oferta da empresa, mas não é a única novidade. A especialista em tecidos laneiros está igualmente a apresentar ao mercado a linha Pink Collection, para o segmento de senhora, «que no final do ano deverá representar 5% das vendas e espero que atinja os 20% dentro de três anos», avança o administrador.

Aposta na diversificação

Atenta à evolução do mercado, a empresa está, por isso, a diversificar a sua tipologia de produto, com uma forte aposta no outerwear, com tecidos pensados para uma vertente mais sportswear, em contraponto ao look formal que é, atualmente, responsável pelo grosso das vendas do grupo, que faturou 80 milhões de euros em 2018. «Temos de criar produtos onde incorporemos algum do nosso saber-fazer para fazer artigos diferentes, mais desportivos», considera o administrador, que revela sentir a tendência, sobretudo ao nível externo, de uma quebra no consumo de vestuário formal. «Os consumidores estão a comprar cada vez menos fatos e mais facilmente uma parka para pôr por cima de uma t-shirt», assume.

A pensar neste novo consumidor, as propostas da Paulo de Oliveira para o outono-inverno 2020/2021 incluem, numa gama nova de overcoat para outerwear, estruturas especiais, como acolchoados, revestimentos e laminados com espumas ou membranas, que conferem às peças de vestuário propriedades como permeabilidade ao ar, repelência à água ou corta-vento. «Temos ainda em destaque uma linha com tecidos tipo malha, com muita elasticidade, seja para vestuário mais casual ou mais formal, mas sempre com uma perspetiva de muito conforto», acrescenta Paulo Augusto Oliveira.

Inovação para conquistar os clientes

As novidades na área do produto abarcam ainda o segmento corporativo, cuja oferta foi reorganizada, ganhando autonomia em termos de coleção e incluindo uma nova linha, batizada Corporate Fashion, pensada para uniformes de moda «destinados a hotéis e cadeias de lojas», exemplifica o administrador, adiantando que «o objetivo é que represente 10% das vendas até 2022».

Argumentos para impulsionar o crescimento da empresa, que tem sido feito «à custa da agressividade comercial mas também de inovação e desenvolvimento de produto, o que nos tem permitido conquistar mais negócio», garante Paulo Augusto Oliveira. «Por outro lado, nestas alturas de certa instabilidade é também normal que os próprios clientes sejam mais seletivos, que recorram mais às empresas que lhes dão mais garantias. Por consequência, estamos com um ligeiro crescimento no primeiro semestre do ano – no primeiro trimestre foi cerca de 7%, enquanto no segundo trimestre deverá ser ligeiramente inferior, entre 4% e 5%», conclui.