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PAV cresce no estrangeiro

O mercado francês de pronto-a-vestir de senhora deverá registar um novo recuo em 2013, depois de uma quebra de 2,8% em 2012, em contraste com o dinamismo do sector na exportação. Afetadas pela crise e pelo aumento do desemprego, as vendas de vestuário de senhora recuaram para 11 mil milhões de euros no ano passado, e «2013 deverá infelizmente parecer-se muito com 2012», antevê François-Marie Grau, secretário-geral da Federação Francesa de Pronto-a-Vestir de Senhora. Pelo contrário, as empresas francesas de pronto-a-vestir (cerca de 3.000), que registaram um volume de negócios conjunto de 5 mil milhões de euros, continuam muito dinâmicas na exportação, onde realizam cerca de metade das suas vendas. «A moda francesa tem procura no estrangeiro e isso é encorajador», congratula-se Jean-Pierre Mocho, presidente da federação profissional, que conta entre os seus membros as marcas Zadig & Voltaire, René Derhy, Zapa, Bérénice, Gérard Darel, Anne Fontaine, Côtélac ou ainda a Ateliers de la Maille. Em contínuo crescimento desde 2010, as exportações das marcas francesas aumentaram 3,4% no ano passado, beneficiando nomeadamente da desvalorização do euro face ao dólar, tendo atingido os 2,65 mil milhões de euros. Mas devido à crise europeia, a Itália cedeu aos EUA o primeiro lugar nas compras de pronto-a-vestir francês. As exportações para Itália caíram 13%, para 229 milhões de euros, tendo aumentado 28% para os EUA, para os 235,7 milhões de euros (o que representa 9% do total). Espanha conservou o seu terceiro lugar, apesar de uma quebra de 12%, relacionada com o marasmo que afeta a economia espanhola. O maior aumento das exportações surge de Hong Kong, onde as vendas cresceram 40%, para os 154 milhões de euros (6% do total). O desenvolvimento do mercado na China continental, que representa apenas 3,6% das exportações francesas, faz também parte dos grandes objetivos da federação e algumas marcas já desenvolveram no país uma rede de lojas, como a Chacok ou a Didier Parakian. Embora o “made in France” faça correr muita tinta, o pronto-a-vestir subcontrata ainda fora de França a quase totalidade da sua produção e apenas algumas centenas de produtores – que trabalham essencialmente para marcas de luxo como a Chanel e a Dior – subsistem no Hexágono. A China é, de longe, o principal subcontratado da fileira mas a sua quota diminuiu pela primeira vez em 2012 (- 0,4%, para 38,3%), sob o efeito combinado de um aumento dos custos de produção (+ 40% em dois anos) e da vontade do governo chinês de reorientar o consumo para o mercado interno. Todos os outros grandes fornecedores de vestuário viram também a sua quota baixar, como Itália, Índia, Marrocos, Turquia ou Tunísia, com a exceção notável do Bangladesh e da Roménia (importações em alta de 18% para o primeiro e de 13,5% para o segundo) graças a preços particularmente competitivos. Depressão em França Em França, a retração do mercado de vestuário foi acompanhada de uma taxa recorde (37,9%) de compras efetuadas a preços reduzidos e de uma diminuição do orçamento médio para 397 euros, contra 410 euros em 2011 e 421 euros em 2010. «Assistimos provavelmente a uma alteração profunda e duradoura dos comportamentos de compra», acredita François-Marie Grau, para quem a sensibilidade ao preço aumentou consideravelmente com os saldos flutuantes, as promoções e as ofertas a preços reduzidos na Internet. Os três primeiros circuitos de distribuição perderam terreno em 2012. As cadeias especializadas (como a espanhola Zara e a sueca H&M) viram a sua quota de mercado descer 0,2% para 33%, apesar de uma estratégia agressiva de abertura de lojas. O comércio independente multimarca também perdeu 0,2%, para 19,9% do mercado e as marcas de grande difusão (como a Kiabi e a Halle no vestuário) caíram 0,1%, para 10% de quota de mercado. As vendas das grandes marcas de distribuição alimentar (Carrefour, Casino, Leclerc e Auchan) também viram o seu valor cair 0,1%, para 5,7%. Pelo contrário, os grandes armazéns Le Bon Maché (propriedade do LVMH), Le Printemps ou as Galerias Lafayette beneficiaram do seu posicionamento de gama alta e da sua clientela de turistas e ganharam 0,2% de quota de mercado, para 6,3%. Sem surpresa, o comércio eletrónico mais uma vez voltou a crescer, com uma quota de mercado que atingiu os 11%, com uma forte progressão das marcas que aceleraram as suas vendas na Internet, paralelamente às suas vendas em loja, e dos players “puros” do sector, como a Venteprivée.com e a Brandalley.