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PBP quer crescer com marca

Atualmente com uma quota de 20% nas vendas, a marca própria Pure Comfort está no centro da estratégia da PBP, juntamente com a diversificação de produtos, clientes e mercados.

Paulo G. Ferreira e Paulo R. Ferreira

A Pure Comfort representa atualmente cerca de 20% das vendas da empresa familiar, mas «gostaríamos que, um dia, representasse 100%. Seria o meu sonho», confessa Paulo R. Ferreira, CEO da PBP, para quem «é um orgulho criar uma coisa de raiz».

Para cumprir esse sonho, a empresa tem introduzido novos produtos na marca, que serve também como montra para o private label. «Estamos a dedicar-nos mais às flanelas, para começar a sentir o pulso dos clientes sobre esse tipo de coleções. E estamos também com tingimentos especiais, um bocado diferentes do normal, e acabamentos com lavagens diferentes», revela ao Jornal Têxtil.

Embora não tenha produção própria além da confeção, a PBP tem sentido o aumento dos preços, que em alguns casos chega aos 50% em comparação com julho/agosto do ano passado. «Quase todos os meses aumento os preços», reconhece Paulo R. Ferreira, o que significa «menos negócio e tentar reduzir as margens ao mínimo, porque temos que sobreviver», explica o CEO da empresa, que emprega 22 pessoas.

Aliás, mais do que reclamar apoios para si, Paulo R. Ferreira apela ao apoio às grandes empresas, sobretudo na área da energia. «Como não somos produtores verticais, não temos tinturaria, não temos acabamentos, precisamos das fábricas grandes, portanto, precisamos que haja apoios para as fábricas grandes. Não podemos pensar só em nós, porque sem eles não sobrevivemos. Se não vier ajuda para as fábricas grandes serem sustentáveis nos preços e poderem fornecer-nos com bons preços, não vamos a lado nenhum», justifica o CEO, acrescentando que a PBP compra «tudo em Portugal», em empresas como a Somani, a JFA, a Polopiqué, a Vilarinho e a Somelos. «Todas elas são grandes e se elas fecharem, eu também fecho», resume.

Em 2021, a PBP registou um crescimento de 30% na produção e acabou o ano com um volume de negócios de 1,5 milhões de euros. «Temos vindo sempre a crescer. Em 2019 decresceu um bocado, mas em 2020 já crescemos, 2021 cresceu ainda mais e 2022, para já, está a crescer», assegura Paulo R. Ferreira, adiantando que «estamos completamente tomados até agosto».

Novo Mundo vs. Velho Continente

EUA e Canadá são os principais mercados da empresa, com o continente americano a significar 50% das vendas, estando os restantes 50% concentrados na Europa. No entanto, «os clientes europeus estão muito apreensivos para comprar, porque também não vendem. Temos falado semanalmente com alguns dos nossos principais clientes e sentimos neles um bocado de medo e de apreensão, porque as coisas estão muito paradas. Alguns são armazenistas, outros são lojistas finais, mas todos dizem estar com problemas. Com o aumento dos preços, as pessoas estão a gastar mais na alimentação e noutras coisas e, por isso, vão ter que tirar a algum lado, porque o dinheiro não estica», indica o CEO da PBP. «Os clientes estão um bocadinho mais apreensivos em fazer encomendas ou procurar novos produtos, porque esta onda de mudança de preços deixa sempre os clientes com o pé atrás em fazer novas apostas», acrescenta o diretor comercial Paulo G. Ferreira, a segunda geração no negócio familiar.

Ainda assim, a empresa tem vindo a fazer novos investimentos nos últimos anos, nomeadamente em 2021, quando investiu cerca de 250 mil euros num sistema de corte automático.

A ideia, de resto, é continuar a crescer. «O ideal seria andar na casa dos quatro ou cinco milhões de euros, para sermos sustentáveis e também termos boas margens», aponta Paulo R. Ferreira. Um objetivo que, contudo, não tem prazo definido, principalmente face à incerteza do mercado. «É muito difícil de dizer. Havia coisas em que estávamos no caminho certo e depois veio isto tudo: clientes que faliram, baixas de vendas e tudo o que nos transcende. Neste momento pensávamos estar mais próximos, mas tudo muda a cada hora e não conseguimos controlar, portanto acho que, neste momento, o mais importante será manter. Tudo o que se puder crescer é sempre bem-vindo, mas queremos sobretudo tentar ter uma colaboração mais chegada com os clientes», afirma o CEO.