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Pense Indústria» em acção

Gonçalo Lobo Xavier, director-executivo da Recet – Associação dos Centros Tecnológicos de Portugal, explica, ao Jornal Têxtil, as causas & efeitos do projecto Pense Indústria Inovação. Um projecto da Recet que tem sabido mobilizar e sensibilizar milhares de jovens estudantes – preferencialmente dos 8º e 9º anos – por todo o país para as actividades tecnológicas industriais, utilizando uma abordagem com matizes didácticas e lúdicas. Afinal, é de pequenino que se torce o pepino… 

Jornal Têxtil (JT) – Como nasce o projecto Pense Indústria?

Gonçalo Lobo Xavier (GLX) – A ideia, em si, teve origem em Israel, tendo sido “importada” para Portugal em 1995. Dadas as suas componentes de formação e informação de carácter tecnológico, os Centros Tecnológicos consideraram que poderiam levar avante este projecto, sobretudo pela estreita ligação a toda a actividade industrial, pelo que a Recet tomou-o sob a sua alçada a partir de 1997. Desde então temos procurado levar a cabo o conceito, fazendo umup-grade contínuo desde os equipamentos até às numerosas actividades inseridas no âmbito do projecto.

Os Centros Tecnológicos têm concentrado grandes esforços no sentido de proporcionar aos jovens uma formação de âmbito geral, que lhes permita alargar efectivamente os seus horizontes.

JT – Mas a forma de executar o Pense Indústria tem sofrido uma grande evolução ao longo dos anos. Como é levado a cabo, actualmente, o projecto?

GLX – Hoje o Pense Indústria engloba três actividades principais. Numa, realizada nas instalações dos próprios Centros Tecnológicos, é ministrada aos jovens uma formação de 4 horas, de periodicidade quinzenal e duração anual, sobre os equipamentos utilizados em larga escala na indústria e as várias actividades associadas. Neste âmbito, os jovens inscritos têm também a oportunidade de conheceram uma panóplia de questões ligadas à indústria em todas as suas vertentes. Esta modalidade inclui apenas o Citeve – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal, o Catim – Centro Tecnológico de Apoio à Indústria Metalomecânica, o Centimfe – Centro Tecnológico dos Moldes Ferramentas Especiais e Plásticos e o Ctcv – Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro. Temos assim abrangido as áreas da Covilhã, Famalicão, Coimbra, Porto, Lisboa e Marinha Grande. 

Outra actividade, baptizada de “É assim na Indústria”, apresenta uma vertente itinerante, onde os centros tecnológicos vão às escolas mostrar os seus equipamentos e sensibilizar os jovens para as suas actividades através da realização de jogos didácticos, também utilizados nas outras sessões. Esta modalidade inclui, além dos quatro centros tecnológicos já citados, o Cevalor – Centro Tecnológico para a Valorização das Rochas Ornamentais, em Borba, o Ctc – Centro Tecnológico do Calçado,em S. J. da Madeira e o Ctic – Centro Tecnológico do Couro,em Alcanena. A Aftebi – Associação para a Formação Tecnológica da Beira Interior, é também parceira neste projecto e nestas acções tendo sido extremamente útil, dada a vocação das Escolas Tecnológicas enquanto espaço de formação tecnológica.

Finalmente, nesta edição, avançámos com o “OTL – Indústria”, para aproveitar o período de férias dando a possibilidade a um conjunto de jovens de participarem durante 15 dias nas normais actividades do projecto, aproveitando assim o período de férias para alargar horizontes e conhecimentos.

JT – E, até hoje, quantos jovens já mobilizou o Pense Indústria nas suas múltiplas e variadas actividades?

GLX –Desde 1997 até aos dias de hoje, o Pense Indústria envolveu 246 escolas, o que representa um total de 46.000 jovens, e contou com a participação de 148 empresas de todo o país. O Pense Indústria Inovação (PII), que teve início em Janeiro de 2003, manteve contacto na sua vertente fixa com cerca de 2.500 jovens e na sua vertente itinerante, que terminará em Dezembro de 2004, atingirá aproximadamente os 35.000 jovens. Esta edição do Pense Indústria contou, pela primeira vez, com a participação dos sete centros tecnológicos e implicou um investimento na ordem de um milhão de euros.   

JT – Que diferenças apresenta o “Pense Indústria Inovação” em relação aos seus antecessores?

GLX –O conceito é sempre o mesmo, o público-alvo, a abrangência e os métodos utilizados é que têm melhorado ao longo dos anos. Em particular, o PII apresenta umup-grade muito grande quer em termos de equipamento, com significativas melhorias e versões actualizadas e ainda mais interactivas, quer em termos de informação veiculada, de que é exemplo o nossosite -www.recet.pt/pi – que agora também inclui a apresentação de conteúdos subordinados ao tema “Como se faz?”, onde, sob a forma de vídeos e outros formatos, se mostra como são fabricados produtos tão diferentes como at-shirt, a garrafa de vidro, o sabão ou o chocolate. Deste modo, procuramos dispor de umsite cada vez mais interessante para os jovens.

 

JT – O concurso “Isto é um ideia” é efectivamente uma boa ideia do Pense Indústria, onde mais uma vez os jovens participantes deram provas de uma excelente capacidade de inovação… 

GLX –Mais do que um concurso, é um desafio aos jovens para que, após a aquisição de um conjunto de conhecimentos sobre o processo industrial, desenvolvam uma ideia que tenha viabilidade no mercado. Este ano foi a primeira vez que contámos com o apoio do Inpi – Instituto Nacional da Propriedade Industrial, com o qual levámos a cabo uma acção informativa sobre as diferentes modalidades da propriedade industrial, como as patentes, marcas, etc. Foi muito importante e sentimos que os sensibilizámos para estas matérias.

JT – Quais os novos desafios que se colocam ao Pense Indústria?

GLX – Para podermos chegar a mais jovens e, por consequência, conseguir um maior efeito de sensibilização e de abrangência geográfica, a Recet está a implantar o “Pense Indústria on Wheels”, que deverá arrancar até ao final do ano.

Trata-se de um camião que dispõe de modernos equipamentos e de um leque de formadores e que irá percorrer o maior número possível de escolas de todo o país, desmistificando deste modo a indústria e as inerentes actividades industriais. É este o objectivo primordial da Recet e dos centros tecnológicos.

Uma outra actividade a desenvolver no âmbito do Pense Indústria está associada a um novo jogo de computador, baptizado “Pulltex”, no qual5 a6 jovens tomam as rédeas de uma empresa, assumindo as posições de director-geral, director de produção, director de I&D, director de marketing… Este jogo apresenta vários desafios, que vão desde a selecção das matérias-primas até à comercialização dos produtos, e estará brevemente disponível no nossosite. Um verdadeiro desafio de “gestão industrial”!

O Pense Indústria é um projecto destinado a todos os sectores da indústria portuguesa, e embora os resultados sejam muito animadores ainda há muito trabalho pela frente para que tenhamos uma indústria mais competitiva e mais qualificada. A actividade industrial deve ser hoje uma actividade executada por pessoas motivadas a trabalhar nesse meio. É este o objectivo final do Pense Indústria.