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Pensos que curam feridas

A ideia vem do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil da Universidade do Minho e passa por aplicar péptidos antimicrobianos para combater infeções.

Estamos habitados a ver as ligaduras e os pensos como meras proteções para feridas e outro tipo de lesões. O tratamento do problema é feito com medicamentos, nomeadamente antibióticos e outros, que por vezes têm alguns efeitos secundários. Mas não poderiam as ligaduras e pensos serem, eles próprios, capazes de combater as infeções e acelerar a cicatrização?

A resposta vem do 2C2T – Centro de Ciência e Tecnologia da Universidade do Minho, num projeto levado a cabo por Helena Felgueiras, e passa por aplicar péptidos antimicrobianos para combater infeções.

A investigadora do 2C2T explicou durante a sua intervenção no iTechStyle Summit ’18 (ver Novos materiais avançados), que «quando nos magoamos há várias fases de cura. Cada uma dessas fases é caracterizada pela presença de moléculas», que vão ativando as diferentes fases de desenvolvimento da lesão.

Caso a ferida se agrave e se torne crónica pode haver infeção por bactérias. «Nos dias de hoje, graças à tecnologia, [os pensos] podem promover a oxigenação, acelerar a regeneração do tecido e proteger» a zona em questão, afirmou Helena Felgueiras. «Entre as muitas opções que temos disponíveis, dependendo da gravidade da doença, existem diferentes materiais que podem ser aplicados. Se for uma ferida superficial usamos um filme, se for mais profunda podemos optar por um hidrogel», entre outro tipo de produtos, explicou.

Nesse âmbito, a equipa de investigação do 2C2T está a trabalhar na aplicação de «péptidos antimicrobianos, que podem agir sobre as bactérias, mas também sobre vírus e fungos. E com isso as bactérias não terão tempo de se reproduzirem e de desenvolverem resistência», revelou Helena Felgueiras. «O que queremos é juntar numa terapia só o que responde às necessidades de feridas crónicas», salientou. Estes materiais existem na natureza e são usados por animais e plantas para se defenderem.

Trata-se de «uma espécie de segunda pele», que pode também ajudar a combater a resistência crescente aos antibióticos e outros medicamentos por parte dos agentes infeciosos, e que, no futuro, ajudará os doentes mais vulneráveis a curar feridas crónicas quase sem darem por isso.