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Penteadora funcionaliza lã para proteção

A empresa, em parceria com a plataforma Fibrenamics da Universidade do Minho, desenvolveu estruturas com base em lã capazes de conferir proteção térmica, química e elétrica. Apesar do MultiscaleProtech ter formalmente terminado a 30 de março, a Penteadora pretende dar continuidade ao projeto e explorar as novas soluções.

[©Fibrenamics]

O projeto pretendia desenvolver um substrato fibroso para a proteção multirrisco que respondesse às necessidades de equipamentos de proteção individual contra estímulos elétricos, térmicos e químicos prejudiciais à saúde e, segundo António Teixeira, administrador da Penteadora, «os nossos objetivos foram atingidos».

Ao longo dos últimos dois anos – o MultiscaleProtech começou, oficialmente, em setembro de 2018 –, a Penteadora e a Fibrenamics investigaram diversas opções, desde a composição fibrosa das estruturas até aos acabamentos funcionais. «O desenvolvimento passou por estudar o potencial da lã enquanto fibra técnica para a proteção, cujas propriedades de resistência térmica e química têm sido exaltadas na comunidade científica e muitos trabalhos têm sido desenvolvidos para o aproveitamento deste material que vai além do isolamento térmico, uma vez que também combina proteção química contra ácidos e bases com elevado desempenho», explicou Cristina Silva, project manager na Fibrenamics, durante o webinar dedicado à funcionalização de estruturas fibrosas para a saúde.

As estruturas foram depois combinadas com derivados de grafeno, «de modo a potenciar essas mesmas propriedades, acrescentando também uma relação entre a condutividade e resistividade elétrica, necessárias para a obtenção da proteção contra estímulos elétricos, nomeadamente o arco elétrico», revelou Cristina Silva, adiantando que o desenvolvimento permite a substituição «das soluções do mercado que, neste momento, se encontram baseadas nos fluorcarbonetos, cujo impacto ambiental é elevado».

Os processos de funcionalização usados foram a deposição superficial na estrutura fibrosa por raclagem e a funcionalização da estrutura transversalmente por foulardagem. «Assim foi possível desenvolver dois substratos passíveis de corresponder às normas associadas à proteção elétrica – elétrica no sentido do arco elétrico e resistividade elétrica –, e à proteção térmica ao calor radiante, à chama e à soldadura», indicou a project manager da Fibrenamics, acrescentando que foi ainda obtida proteção química correspondente à norma NP EN 14325:2018.

O projeto exigiu uma colaboração próxima entre as duas entidades, mas «obrigou a irmos procurar também parcerias junto de fornecedores de produtos químicos. O desafio foi bem aceite e conduziu-nos a um resultado muitíssimo interessante», apontou António Teixeira.

Face aos resultados, considera o administrador da Penteadora, «estão agora lançados os meios e o conhecimento para alargarmos para outro tipo de fios e de misturas e, portanto, serão novos desafios que se vão colocar e que já foram colocados também aos nossos parceiros». Como tal, o MultiscaleProtech, que formalmente terminou a 30 de março, «de facto não vai terminar, vai ter continuidade porque há aqui todo um conjunto enorme de soluções que têm que ser ainda exploradas», anunciou António Teixeira.

Mercado com potencial

O mercado de estruturas fibrosas para aplicação na saúde, onde se incluem as soluções de proteção como as desenvolvidas no MultiscaleProtech, deverá, de acordo com Cristina Silva, registar um crescimento anual de 5% de 2020 a 2024, «dada a demanda acentuada por soluções na área do controlo e prevenção de doenças e condições médicas, especialmente na proteção contra agentes químicos e biológicos», salientou.

[©Fibrenamics]
Embora as áreas de intervenção na saúde sejam vastas, há, para a project manager da Fibrenamics, cinco tendências que deverão ter maior relevância nos próximos cinco a 10 anos: os materiais inteligentes; os materiais para a libertação controlada de agentes ativos; os produtos sustentáveis, reutilizáveis e biodegradáveis; os órgãos artificiais; e as estruturas de proteção.

«Existe uma mudança de paradigma em que as estruturas fibrosas para a saúde deixam de ser materiais aplicáveis na medicina, passando a ser materiais para a promoção da saúde, o que engloba outras etapas além das de tratamento e de diagnóstico, como as de prevenção, as de proteção da saúde e propagação de patologias», resumiu Cristina Silva.