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Penteadora repensa os têxteis

A entrada de sangue novo e a capacidade de estar sempre um passo à frente levou a Penteadora a criar duas novas linhas de produtos, diferentes mas ligadas pela vontade de repensar o têxtil. Hybrid, com um revestimento especial, e Reborn, resultado da reutilização de desperdícios, chegaram ao mercado e já causaram impacto.

Foram apresentadas na Première Vision Paris em setembro e, de imediato, ganharam adeptos. As novas linhas de produto da Penteadora, empresa pertencente ao grupo Paulo de Oliveira, mantêm a tónica na inovação (ver A revolução da Penteadora) mas vão mais longe na capacidade de analisar e transformar um problema numa solução que seja atrativa para o mercado.

«Temos este desafio pela frente: temos que repensar, que reutilizar, pensar no que é que podemos fazer para trazer valor acrescentado aos nossos produtos, num mercado onde a concorrência é maior e onde os fatores de diferenciação assumem cada vez mais importância», explica, ao Portugal Têxtil, António Teixeira, diretor de vendas da empresa. «Vamos pela inovação, o acrescentar algo de diferente, apresentar outras soluções aos nossos clientes. Essa é a filosofia: repensar aquilo que está à nossa frente e o que é que podemos fazer de diferente», afirma.

Contudo, além das ideias, «também precisamos muitas vezes de ter os contactos e os parceiros certos. Hoje, a relação que existe entre as empresas e as pessoas é importante», sublinha o diretor de vendas da Penteadora.

Hybrid assume lado hi-tech

Foi com base num contacto com uma empresa nacional especialista em revestimentos, a que se juntou a entrada de novos quadros qualificados na Penteadora, que nasceu a linha Hybrid. «Quando contactei a empresa com a qual estamos a desenvolver este produto foi por causa de outro assunto. Mas abriram-me as portas, mostraram-me o que fazem, como fazem e o que estavam a pensar fazer. Portanto, porque não trabalharmos em conjunto e pensarmos em fazer qualquer coisa? Para nós é importante encontrarmos estas parcerias em Portugal, empresas com esta disponibilidade e com esta capacidade fantástica de pensar e fazer coisas que são absolutamente espantosas», conta António Teixeira.

A nova gama possui um revestimento especial, que neste momento permite alterar o aspeto do tecido, ao mesmo tempo que lhe confere repelência à água. «O próprio toque do tecido é alterado, tem um toque mais técnico, sendo que, quando mexemos no tecido, temos uma mistura do laneiro tradicional com o técnico que é incorporado», revela o diretor de vendas da Penteadora.

As propostas da Hybrid incluem desde tecidos em 100% lã a misturas lã/poliéster e lã/linho mas, adianta António Teixeira, «não há limitações. Temos aqui um mundo para descobrir as possibilidades que este tipo de acabamento permite». A empresa, de resto, irá «estudar outras possibilidades e, passo a passo, tentar introduzir novas funcionalidades», admite. «Podemos estar aqui a falar de um tecido que estava pensado para calças, introduzimos-lhe uma funcionalização e de repente temos um casaco que parece feito de cabedal, que tem um aspeto vintage ou um aspeto com brilho. Podemos pensar no que quisermos com os nossos produtos e com esta parceria», esclarece.

Já apresentada na Première Vision Paris, a nova linha teve uma boa recetividade, apesar de, destaca o diretor de vendas da Penteadora, não ser «um tipo de produto que se possa aplicar a todos os nossos clientes e resultar com todos. São nichos de mercado, utilizações orientadas que têm a ver com a filosofia da própria marca». Aliás, a gama é customizável para responder a necessidades específicas. «Podemos ajustar as cores, podemos ajustar a textura, personalizando em função do cliente e da sua forma de pensar a coleção», acrescenta António Teixeira.

Economia circular com Reborn

Já a linha Reborn assume um lado ecológico, que permite à Penteadora, e, em certa medida, ao próprio grupo, fechar parte do ciclo produtivo. «Nas nossas fiações, de penteado e cardado, produzimos desperdícios e tínhamos sempre o problema de o que fazer com eles. Poderíamos vender ou enviar para aterro. No contexto da nossa responsabilidade social e ambiental em relação ao meio onde estamos inseridos, numa pequena aldeia perto da serra, começamos a repensar isto», elucida o diretor de vendas.

Desta ideia surgiu toda uma nova organização interna que, no final, permitiu criar tecidos com a incorporação dos desperdícios. «Tivemos que começar a fazer a separação dos desperdícios, por cores mas também por composição. Foi um processo que teve de ser pensado e que obriga a mão de obra adicional. Mas temos aqui também vantagens que nos dão muita satisfação – de alguma forma, deixamos de ter um problema», reconhece António Teixeira.

Esta linha Reborn, com opções 100% lã e 60% lã/40% poliéster, foi pensada para ser usada na confeção de casacos mais desportivos e permite colocar a Penteadora, e o próprio Grupo Paulo de Oliveira, mais perto de atingir o objetivo de, como indicou o administrador Paulo Augusto de Oliveira em entrevista ao Jornal Têxtil, «poder dizer que somos a empresa mais “verde” da indústria de lanifícios à escala mundial» (ver «Olhar para a frente é que é o desafio»).

No entanto, apesar de ter sido apresentada em Paris com uma receção «fantástica», sobretudo «quando transmitimos aos clientes o conceito». refere António Teixeira, terá quantidades limitadas. «Não vamos comprar e trabalhar desperdícios dos outros, vão ser só com os desperdícios que produzimos. Encontrámos a nossa solução e estamos aqui a dar o nosso contributo para o que são as preocupações ambientais e sociais inerentes a estas questões da reciclagem e da economia circular. Este é o nosso caminho», conclui António Teixeira.