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Penteadora tece alta visibilidade

A empresa do Grupo Paulo Oliveira está a desenvolver um tecido de alta visibilidade à base de aramida. O objetivo da Penteadora é, no futuro, poder substituir as tradicionais listas refletoras no vestuário de proteção, melhorando o conforto dos utilizadores sem prescindir da funcionalidade.

António Teixeira

De acordo com António Teixeira, administrador da Penteadora, as atuais listas refletoras «são pesadas e tornam o tecido da zona onde são aplicadas menos confortável, mais dura», ao mesmo tempo que complicam a confeção da peça de vestuário, o que não acontecerá «se tivermos, por exemplo, os braços todos em tecido florescente, um tecido de alta visibilidade».

O projeto está, atualmente, numa fase de desenvolvimento ainda à escala laboratorial, acrescenta o administrador da Penteadora, devendo somar-se a uma série de inovações que a empresa do Grupo Paulo de Oliveira tem vindo a fazer nos últimos anos, tanto internamente, como em parceria com entidades como a Fibrenamics, de que é exemplo o MultiscaleProtech, onde desenvolveu estruturas com base laneira capazes de conferir proteção térmica, química e elétrica.

Atualmente, a Penteadora está ainda envolvida no BioShoes4All, um projeto no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência com um investimento de 41 milhões de euros liderado pela APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos. A empresa irá focar-se na área da economia circular. «Vamos apostar muito na área da reciclagem», indica António Teixeira, que acredita que ter uma empresa têxtil num consórcio voltado para o calçado é uma mais-valia, já que pode «apresentar tecidos alternativos, reciclados ou recicláveis para o calçado».

Para isso estão ainda a ser pensados novos investimentos. «Se se concretizar, para os próximos três anos, o investimento será, de certo, o equivalente àquilo que investimos entre 2015 e 2019», um valor que «poderá atingir os 8 milhões de euros», revela ao Portugal Têxtil.

Falta de mão de obra condiciona atividade

Com o negócio dividido em três áreas – tecidos de moda, tecidos para uniformes e tecidos técnicos de proteção, onde se inclui a marca PentaShield –, a Penteadora depara-se atualmente com um entrave ao crescimento: a mão de obra. Com cerca de 300 trabalhadores, a empresa tem «horas de trabalho que não estão a ser ocupadas», tendo necessidade de «30 a 40 pessoas no imediato», afirma António Teixeira. A solução tem passado pela imigração, nomeadamente por imigrantes indianos. «Neste momento, a imigração é onde estamos a encontrar soluções», assume o administrador.

Um problema mais grave numa altura em que a empresa poderia crescer, já que há, pelo menos no momento, uma maior procura pelo “made in Portugal” e também por soluções para proteção no segmento da segurança. «Com a realidade das coisas hoje, com a necessidade de rever toda a política de defesa da Europa e de cada um dos países [como consequência da guerra na Ucrânia], acredito que seja uma área que vai crescer. Junto de algumas pessoas que trabalham mais próximas de alguns governos e ministérios da defesa há essa informação de que o volume de compras irá possivelmente duplicar nos próximos tempos. Creio que vai haver, de facto, mesmo na área dos tecidos e da confeção, boas oportunidades», aponta António Teixeira.

«Infelizmente, hoje em dia, a capacidade não é grande nas empresas, com a falta de mão de obra. As máquinas estão lá, mas não se consegue pô-las a trabalhar a 100%», refere, uma situação que deverá afetar a Penteadora já este ano. «As vendas, até ao momento, têm corrido bem. Não fosse este problema da falta de mão de obra, poderíamos superar este ano facilmente 2019 [onde registou um volume de negócios perto dos 20 milhões de euros]. Assim, tenho dúvidas se lá chegaremos em termos de faturação. Em termos de encomendas, não tenho dúvidas», conclui o administrador.