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Pereira da Cunha sem fronteiras

Há mais de oito décadas no mercado, a empresa familiar continua a expandir o seu negócio. Às colchas acrescentou sacos-cama, edredões e outros artigos para a cama e, com a Europa bem consolidada, está a expandir-se para novas latitudes, da Austrália ao Japão.

Tiago Pereira da Cunha

Presente em força na Europa, a Pereira da Cunha tem procurado novos clientes para os seus artigos de cama noutras geografias e, depois dos EUA, é a Austrália que, em 2019, está a destacar-se.

«A Europa está um bocadinho mais fraca, por isso temos que recorrer a mercados novos», justifica o administrador Tiago Pereira da Cunha. O país da Oceânia «tem estado em desenvolvimento», afirma. «É um país que, neste momento, tem uma procura de artigo de segmento muito alto, com qualidade», aponta. Como tal, a empresa está a procurar formas de reforçar o seu posicionamento na Austrália. «Estamos a aguardar alguma indicação por parte da AICEP, porque seria muito interessante fazer lá uma feira», revela ao Jornal Têxtil.

Também do outro lado do mundo, o mercado japonês está na mira da Pereira da Cunha, mas a mais longo prazo. «A nível de roupa de cama, é ainda um nicho muito pequeno», explica Tiago Pereira da Cunha, que refere as tradições japonesas como um entrave ao desenvolvimento do negócio. «O Japão custa a engrenar. Não é fácil. Eles compram pouco e bom e tentam ver como é que o artigo sai, se sai bem, se não sai. Os europeus arriscam mais um pouco», confessa. Além disso, admite, «a colcha não tem ainda muita importância. Pode vir a ter. Acho que nos próximos três ou quatro anos pode ter alguma saída, mas neste momento é ainda um nicho que está a evoluir muito lentamente».

Diversificar o portefólio

Mas nem só de colchas vive a Pereira da Cunha, apesar deste artigo, que esteve na origem da empresa há 83 anos, continuar a assumir um papel de destaque no portefólio. «Das simples colchas brancas e naturais passamos a sacos-cama, edredões, tapa-pés, cortinas de banho, tapetes e tecidos para decoração», enumera Tiago Pereira da Cunha, acrescentando que «estamos constantemente à procura de novas matérias-primas que possam enriquecer o produto e torná-lo mais saudável também para o planeta. Gostamos que os clientes encontrem sempre artigos novos».

Esta diversificação, de destinos de exportação e de produtos, tem permitido à empresa, que conta com cerca de 60 trabalhadores, combater a incerteza que está atualmente instalada nos mercados. «Estes dois últimos anos foram um pouco instáveis, com alguns ciclos em alta e outros em baixa», reconhece o administrador.

Uma instabilidade agravada pelo Brexit. «O mercado britânico era importante e caiu. As pessoas nesta altura estão muito na expectativa. Há uns meses compraram, para não terem falta de stock, o que foi muito bom, mas agora as coisas estão bem mais calmas. Está tudo à espera para ver o que isto vai dar. E se fosse daqui a um ou dois meses… só que eles andam constantemente a adiar e isso não é bom», confessa.

No ano passado, a empresa conseguiu manter o volume de faturação nos 6,5 milhões de euros, e, em 2019, Tiago Pereira da Cunha considera que vai ser necessário um esforço complementar para compensar a instabilidade. «Temos que atacar mais, andar em novos países. Temos que ter mais força, tentar sempre ter artigos novos e procurar ter menos custos», garante, sublinhando a obrigatoriedade de ter «um serviço de excelência e um produto de muita competitividade, sem nunca faltar a qualidade que os clientes procuram no “made in Portugal”».