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Pereira & Freitas reposiciona marcas

A produtora de felpos está a fazer mudanças no posicionamento das suas marcas. A Pierre Cardin, de que a Pereira & Freitas detém a licença para produção e comercialização de roupa de banho, está mais acessível e com entregas rápidas, enquanto a Valentini Bianco assume um nível de qualidade superior.

As marcas próprias da Pereira & Freitas são as grandes responsáveis pelas vendas da empresa, com a Valentini Bianco a representar 60% e a Pierre Cardin entre 20% a 30%. «As marcas próprias têm sido a aposta no imediato», afirma Dionísio Pereira, sócio-gerente da Pereira & Freitas.

Desde 2011 que a empresa detém a licença de produção e comercialização de felpos da Pierre Cardin para a Europa, cuja primeira coleção foi apresentada na Heimtextil de 2012. Contudo, a evolução do negócio levou ao reposicionamento da marca criada pelo designer francês Pierre Cardin.

«Tivemos a Pierre Cardin num segmento bastante alto e a nível de vendas não estava a compensar. Reposicionámos a marca para um produto de serviços de entrega mais rápida e não para um nível de qualidade tão alto. E isso tem-se refletido de uma forma positiva nas vendas», revela o sócio-gerente da Pereira & Freitas ao Portugal Têxtil. «O cliente alto acaba por restringir muito o mercado e, como pagamos uma licença, tem de se rentabilizar», justifica.

Os clientes da Pierre Cardin são sobretudo retalhistas e cadeias de loja, atualmente dispersos por 12 mercados europeus. «É aquele cliente que tem no mínimo 10 lojas. Temos dois tipos de artigo que conseguimos entregar bastante rápido e temos stock permanente, portanto para o cliente é fácil. Estamos à procura de clientes em diferentes pontos da Europa», indica Dionísio Pereira. «Trabalhamos com um cliente exclusivo em cada país, por isso é que vamos buscar cadeias de lojas para poder trabalhar», acrescenta.

A estratégia para a Pierre Cardin está, como tal, pensada para aumentar as vendas dentro de cada cliente. «A ideia é vocacionar algumas cadeias para trabalhar um produto mais básico. Ou seja, no fundo utilizamos uma toalha, um básico, e depois o nome dá algum valor acrescido ao produto, mas podemos trabalhar e vender quantidade, que é o que nos interessa», explica o sócio-gerente da Pereira & Freitas.

Valentini Bianco ganha novos clientes

Já na Valentini Bianco, a qualidade é a grande mais-valia, com os artigos que saem da Pereira & Freitas sob esta marca própria a posicionarem-se numa gama mais alta do que a Pierre Cardin, com uma aposta clara na qualidade e na diferenciação do produto.

«A Valentini já tem um posicionamento reconhecido no mercado de há muitos anos», reconhece Dionísio Pereira, adiantando que os mercados são os mesmos da Pierre Cardin e, por vezes, até os clientes coincidem. «Reposicionámos um pouco o produto, o tipo de trabalho. Por exemplo, para a Pierre Cardin é produto relativamente básico, enquanto que para a Valentini Bianco é mais elaborado», esclarece o sócio-gerente da Pereira & Freitas. «Estamos, neste momento, a ir buscar muitos clientes novos para a Valentini Bianco, mas mantemos aqueles com quem já trabalhávamos», admite.

A Europa continua a ser o grande mercado da empresa, que emprega 26 pessoas, apesar de algumas incursões noutras latitudes. «Fizemos já várias abordagens à Ásia e aos EUA. Mas no nosso caso, em particular, não tem muita influência. Neste momento queremos utilizar os alicerces, as duas marcas, e não temos produção com que possamos competir com nenhum fabricante. Já temos de fazer muito outsourcing», refere Dionísio Pereira.

Com um crescimento de 15% do volume de negócios em 2017, as perspetivas são para que este ano acabe com o mesmo nível de crescimento. «Claro que a intenção é sempre ir buscar novos clientes mas, pelo menos, queremos consolidar os que temos», assume o sócio-gerente que, no entanto, deteta algumas dificuldades no percurso, nomeadamente a concorrência de países como a Turquia. «O problema é que o mercado é único e cada vez há mais gente a vender, cada há vez há produções maiores, a luta é muito grande e a concorrência também», confessa.

No entanto, acredita, o “made in Portugal” atualmente faz a diferença. «A nossa qualidade é muito boa. Hoje há um reconhecimento internacional muito maior do que há uns anos. Aliás, era muito normal há uns 10 anos pedirem para pôr etiquetas “made in CEE” ou “made in EU” e neste momento é “made in Portugal”. O facto de os fabricantes, em geral, apostarem muito numa qualidade e imagem boas do produto fez com que o reconhecimento acontecesse naturalmente», conclui Dionísio Pereira.