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Performance pura

A Tencel, a marca de fibras Lyocell recentemente adquirida pelo grupo Lenzing, estabeleceu-se como uma fibra idónea para inclusão na arquitectura de muitos produtos em não-tecidos. Em particular, a sua combinação única de resistência, absorção e pureza permitiu um forte aumento da sua utilização no mercado sempre em crescimento dos toalhetes nos últimos 3 anos, e especificamente, em não-tecidosspunlaced.

 

A empresa britânica Courtaulds (NdR: actual propriedade do grupo Acordis), pioneira na produção das fibras não-naturais com o advento da viscose há quase 100 anos, iniciou na década de 80 um projecto para o desenvolvimento de uma fibra à base de celulose que não apresentasse os inconvenientes da viscose: um processo de produção pouco ecológico e bastante dispendioso. Deste projecto resultou a fibra Tencel, cuja comercialização foi iniciada em 1992.

 

Fibra 100% celulósica, a Tencel é fabricada a partir de uma fonte da natureza renovável – polpa da madeira purificada colhida em florestas aprovada pela FSC (Forestry Standards Comission). Em particular, a fibra Tencel é constituída por longas cadeias moleculares de celulose organizadas numa estrutura cristalina altamente orientada, o que origina uma elevada resistência, pureza e excelente conservação das suas propriedades no estado húmido.

 

«O uso das fibras Tencel em não-tecidos cresceu de cerca de 2.000 toneladas (originalmente sendo apenas fornecida para sectores nichos particulares) para mais de 10.000 toneladas em 2002», revela Dave Hoyland, director comercial dos não-tecidos Tencel. «E este ano o volume de vendas já atingiu as 17.000 toneladas». Durante este período, os principais produtores de não-tecidos adoptaram efectivamente as fibras Tencel, sendo as vendas equitáveis entre a Europa e a América do Norte. Mas em consequência da crise económica asiática, que resultou numa acentuada quebra da procura desta fibra, a produção na unidade de Alabama, nos EUA, teve que ser suspendida entre Janeiro e Setembro de 1999.

 

«As propriedades da fibra despertam também grande interesse entre os tecnólogos», afirma Chris Potter, responsável de vendas Tencel na Europa. «Mas nem sempre foi fácil explorá-las na produção levada a cabo em maquinaria têxtil convencional». Estes problemas foram, todavia, ulteriormente ultrapassados com a introdução em 2001 da variante HS260, que é bastante mais compatível com a tecnologia utilizada em outras fibras como o poliéster e a viscose. Entretanto, foi desenvolvido um extenso portfolio de tipos de fibra para o sector dos não-tecidos. «Com a suspensão da produção em Alabama fomos obrigados a modificar radicalmente a nossa estratégia», declara Dave Hoyland. «Compreendemos que para conquistar uma quota significativa no sector dos não-tecidos era necessário sermos mais competitivos». Esta estratégia revelou-se um êxito, e levou a Tencel a dividir-se em duas áreas de negócios separadas: têxteis e não-tecidos.

 

O crescimento exponencial em 2002 originou uma procura muito superior à oferta, mesmo com níveis de produção recordes nas unidades de Grimsby, no Reino Unido, e de Alabama. A produção anual nas duas unidades atinge actualmente as 60.000 toneladas, com capacidade para crescer até às 80.000 toneladas.

 

Hoje, já existe uma família de fibras Tencel pronta a actuar eficientemente a velocidades elevadas em todas as tecnologias de não-tecidos. Novas qualidades foram especialmente desenvolvidas para cardação a alta velocidade e hidro-entrelaçamento a baixa pressão. «Devido à sua elevada resistência a húmido, é possível produzir não-tecidos Tencel numa gama alargada de massas de base», revela Chris Potter. «A sua estabilidade dimensional é também uma importante vantagem para a produção de não-tecidosspunlaced».

 

As fibras Tencel podem também ser facilmente misturadas com outras fibras, necessitando de uma abertura mínima antes da cardação, e as mantas resultantes são uniformes, coesas e isentas de nepes. Em mantas agulhadas, a inserção eficiente das agulhas pode ser obtida com fibras de baixo título, sem qualquer deterioração das mesmas. Na ligação com latex, a sua elevada resistência permite a redução no ligante, resultando num aumento da capacidade de absorção e da maciez.

«Actualmente não vejo qualquer possibilidade de abrandamento do domínio das fibras Tencel nos não-tecidos. E o objectivo imediato da nova área de negócios de não-tecidos Tencel é tornar-se responsável por 50% da produção global, contribuindo assim para trazer a unidade de Alabama de volta à sua capacidade máxima» remata Dave Hoyland.