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Petróleo afeta algodão

O acordo alcançado entre os ministros das finanças da Zona Euro, no sentido de um pacote de resgate de 130 mil milhões de euros para a Grécia, trouxe alguma acalmia aos mercados. O compromisso conseguido veio evitar uma bancarrota iminente e forçou Atenas a comprometer-se com cortes impopulares e os detentores de títulos privados a assumirem perdas maiores. O acordo difícil, obtido após negociações prolongadas, dá margem de manobra aos investidores que procuram risco e chegou a tempo da reabertura do mercado de algodão dos EUA, juntamente com outras commodities, após este ter encerrado para o Dia do Presidente. O euro valorizou face ao dólar graças ao alívio dos investidores em relação ao plano da dívida grega, o que também ajudou o algodão a solidificar-se nos mercados estrangeiros. «O acordo financeiro para a Grécia foi concluído e os mercados financeiros estão a experienciar uma vaga de alívio», explicou John Flanagan, corretor na Flanagan Trading Corp, na Carolina do Norte. A cotação para os futuros de algodão de maio na ICE Futures US fechou nos 92,97 centavos de dólar (cerca de 0,71 euros) por libra, refletindo um aumento de 0,32 centavos de dólar. O volume de Maio atingiu uns robustos 12.719 lotes após o encerramento da sessão. O algodão de março aumentou menos perto do fecho da sessão, terminando 0,20 centavos abaixo, nos 91,25 centavos de dólar por libra. Foi o menor valor de fecho desde o dia 10 de fevereiro. A faixa de negociação correu entre os 91,12 e os 92,24 centavos de dólar por libra. O volume de março chegou aos 7.467 lotes, com mais players a abandonarem as suas posições antes do período de entrega para o contrato. Um aumento nos preços do petróleo, que atingiu o valor mais elevado dos últimos nove meses, deu também um impulso psicológico ao algodão. «Uma ajuda psicológica, porque a maioria das fibras sintéticas são obtidas a partir de produtos petrolíferos», afirmou Mike Stevens, analista independente para o algodão em Mandeville no estado norte-americano de Louisiana. As fibras sintéticas competem com o algodão em termos de composição dos tecidos. Para o futuro, alguns analistas acreditam que o preço do algodão possa cair, com muitos fatores da oferta/procura a pesarem nessa descida. Na China, um think tank revelou que os preços do algodão no país podem enfrentar alguma pressão no final de março, assim que o governo concluir as suas compras de algodão, citando uma fraca procura. Os preços do algodão na Índia deverão igualmente cair devido à quebra da procura externa, com a China a abrandar as suas compras e com a procura no Bangladesh a ser afetada pelos problemas financeiros da indústria têxtil. Estes dois países são os principais clientes do algodão indiano.