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Pillowtex em recuperação

A Pillowtex, número três americana de produção de colchões e lençóis, acaba de sair da falência diminuindo em várias centenas de milhões de euros as suas dívidas. Em Novembro de 2000, quando a empresa se refugiou no capítulo 11 do código de falências, as suas dívidas estavam fixadas em 1,2 mil milhões de euros. A sociedade recuperou em 1997 o prestigiado Fieldcrest Cannon por 770 milhões de euros e as suas contas sofreram com isso. Precisamente após esta despesa, a empresa enfrentou ainda dificuldades informáticas. Finalmente, a Pillowtex, assim como o resto do sector, teve de fazer face às importações massivas de têxteis-lar asiáticos, um mercado muito mais competitivo. A sociedade não resistiu ao novo contexto, e o director geral da altura, Chuck Hansen, foi demitido pelo seu Conselho de Administração. Mas, uma vez mais o capítulo 11 colocou em seu lugar a equipa dirigente restante, tendo começado a reorganização da empresa. A marca deficitária foi vendida, 13 fábricas foram fechadas e 4.500 empregados foram dispensados. Na sequência destes acontecimentos, a Pillowtex contactou eventuais parceiros dos países em vias de desenvolvimento. Hoje em dia, o grupo subcontrata 20% da sua produção de lençóis e guardanapos. Uma vez posto de pé o plano industrial, não resta mais do que rever o valor financeiro da necessária recuperação. O projecto aceite pelo Tribunal de falências de Delaware, reduziu as dívidas de 1,2 mil milhões de euros para 22 milhões de euros, tendo os bancos aceite “esquecer” uma boa parte da dívida. As velhas acções Pillowtex perdem todo o seu valor e são substituídas por novos títulos. Os pequenos investidores em média não recebem nada, mas os bancos, credores privilegiados, têm direito a 18 milhões de acções da nova sociedade. Inicialmente, eles comprometem-se com os custos da nova Pillowtex. Trinta e oito instituições financeiras, reagrupadas sobre a alçada do ‘Bank of America’, concederam à sociedade um empréstimo de 123 milhões de euros. E a ‘Congress Financial Corporation’ pôs à sua disposição um crédito de 220 milhões de euros. “A lei sobre a falência dá a empresas como a nossa uma segunda oportunidade, e nós aproveitámos”, sublinha Mike Harmon, director financeiro da Pillowtex. Durante estes longos meses de reorganização, a equipa dirigente da Pillowtex modificou as suas estruturas. O grupo originário do sul dos Estados Unidos da América instalado na Carolina do Norte acabou com o seu passado de fabricante, para melhor se dedicar ao marketing e à promoção das suas marcas: Cannon, Fieldcrest, Royal Velvet… Durante o primeiro trimestre de 2002, anunciado no final de Maio, a Pillowtex perdeu 59 milhões de euros, e o seu volume de negócios recuou 12% devido à perda da licença da Ralph Lauren. O director financeiro espera voltar aos lucros no decorrer da segunda metade do ano, devido à actual renovação do interesse dos consumidores americanos para a decoração das suas casas.